O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 01/11/2018
Conforme o escritor italiano Umberto Eco, os meios de comunicação podem ser apocalípticos ou integrados, a depender do motivo que designou a sua utilização. Concomitantemente ao pensamento do filósofo contemporâneo, observa-se entrelaces constantes entre os meios preventivos de doenças e as mídias sociais que os propagam. Em âmbito nacional, entretanto, razões dogmáticas e paradigmas sociais espalhados no campo da web promovem o reaparecimento de doenças antes erradicadas no país. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências que tamanha problemática exprime na nossa sociedade.
Em primeiro plano, é primordial ressaltar o impacto que a não prevenção de doenças já erradicadas- como a falta de vacinação em crianças e adultos- pode causar na sociedade. De acordo com especialistas norte-americanos, o surto de doenças controladas está sendo promovido graças a grupos de anti-vacinação que asseguram aos seus adeptos, geralmente via rede social, que as vacinas ao invés de imunizar, trazem efeitos colaterais aos indivíduos, e estes por sua vez, passam a combater as doenças por meio da fé religiosa e da alimentação. No Brasil, segundo o site Veja, a percentagem de vacinação dos indivíduos caiu de 90% para 75% ao longo dos últimos anos, em virtude de tais movimentos e até da falta de memória dos brasileiros acerca de doenças que um dia assustou a população. Dessa maneira, é indubitável que o governo deve agir para sanar tal questão.
Além disso, segundo o filósofo alemão A. Schopenhauer: “os limites do campo de visão de uma pessoa determinam o seu entendimento a respeito do mundo que a cerca”. Concorrentemente ao raciocínio do pensador do século XIX, se entende que o conhecimento dos indivíduos está diretamente relacionado à suas próprias percepções empíricas, o que é notado nos dias correntes, haja vista o descaso da população mais jovem acerca de epidemias do passado, o que corrobora para o reaparecimento delas, bem como de seus transmissores que se tornam mais resistentes a antibióticos e afins. Nesse sentido, fica evidente a preocupação que a sociedade deve ter para resolução de tal problema.
Diante do exposto, é mister que o Ministério da Saúde em consonância com os veículos de comunicação - que passarão a ser integrados, segundo Eco - esclareçam a população, por meio de campanhas propagandísticas, não apenas nos intervalos, mas dentro dos próprios programas de entretenimento, a importância da vacinação conjunto a depoimentos de vítimas de doenças combatidas, a fim de promover a adesão da vacina por grande parte da população, e reverter o decréscimo do número de vacinados no Brasil nos últimos anos.