O poder de manipulação das mídias

Enviada em 24/10/2021

De acordo com o filósofo iluminista Immanuel Kant, a real maioridade é conquistada pelo homem na medida que ele atinge sua autonomia intelectual. Em contramão a essa ideia, a mídia atual tem contribuído com o processo de alienação dos indivíduos. Isso se deve ao poder dos meios de comunicação de controlar as informações e dispô-las de acordo com seus interesses, assim como a capacidade de induzir falsas necessidades por intermédio do mecanismo de “marketing” direcionado.

Em primeira análise, é importante ressaltar que o poder de controle da imprensa não está restrito à era da Informação, visto que, no século XX, foi utilizada por governos totalitários como instrumento de manipulação social para legitimar suas ideologias ditatoriais. Dessa forma, o avanço das tecnologias virtuais apenas ampliou o campo de influência desse mecanismo transformando-o no principal veículo de propagação de notícias e conhecimento entre os brasileiros. Em virtude disso, o sociólogo Mario Sérgio Cortella afirma que a mídia é o “corpo docente da sociedade”, responsável por ensinar, informar e moldar a opinião dos indivíduos. Nesse quadro, o domínio da narrativa pelos meios de comunicação, junto à confiança disposta pela população nesses canais, inibe a iniciativa dos usuários na busca de outras fontes de pesquisa, o que fomenta a alienação e manipulação social.

Ademais, o uso de algoritmos capazes de colher dados sobre os objetos de interesse dos usuários, no âmbito virtual, é outra forte prática utilizada pelas mídias atuais para manipular os indivíduos, sendo esse mecanismo responsável por induzir pseudonecessidades por meio do “marketing” direcionado. Esse trabalho midiático está em paralelo com o que Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurth, declara em sua tese de Indústria Cultural, na qual afirma que certos padrões de mercado se repetem para formar uma estética ou percepção comum voltada para o consumismo, também conhecida como cultura de massa. Nesse viés, os meios de comunicação auxiliam o capitalismo a inverter a lógica de comércio, retirando o controle do sistema de consumo das mãos da população e entregando-o as grandes empresas vigentes.

Em suma, para que se possa restringir o poder de manipulação das mídias, no Brasil, é necessário que o governo promova, em Instituições de Ensino, palestras ministradas por especialistas em meios de comunicação, para apresentar as possíveis formas de controle exercida por esse sistema e instruir como se defender dessa influência, fomentando o pensamento crítico nos jovens. Por fim, o mesmo agente deve criar propagandas, transmitidas no âmbito televisivo, principal formador de opinião segundo Cortella, que desincentivem o consumo desnecessário a fim de combater a indução promovida pelo mercado capitalista e possibilitar que os indivíduos, finalmente, alcancem a maioridade kantiana.