O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 21/06/2021

O homem é um animal político, afirma Aristóteles, toda sua fala carrega consigo um posicionamento, uma ideologia. Atualmente, no Brasil, o patriotismo, uma das expressões políticas mais antigas da sociedade, o amor incondicional a pátria, é posto em discussão, causa da polarização política, uma vez que, um dos lados se utiliza dessa bandeira para se promover e legitimar suas ações inconstitucionais e agressivas, promovendo uma ressignificação da palavra “patrióta” no país.

Em primeira análise, “o que é ser patriota?”, para o advogado e escritor Ricardo Barradas, a palavra é desvirtuada pela existência de uma outra, podendo ser confundido pelo nacionalismo. A expressão mais agressiva do patriotismo, o amor unicamente pela sua pátria. Transportando para o contexto brasileiro, o patriotismo foi uma das ferramentas utilizadas para unificação de uma população descontente com a corrupção causada pelo governo anterior, exibindo uma dialética direta, o qual ou você apoiava o Brasil, ou estava contra o progresso, descartando as pessoas que apreciavam sua pátria mas não possuíam essa postura política.

Em segunda análise, a desinformação afetou a mentalidade patriótica do brasileiro, o insurgente número de “fake news”(notícias falsas), as quais favoreceram a construção quase religiosa da ideologia patriótica atual, demonizaram as outras formas de amor ao país, esquecendo da valorização da bandeira e suas belezas naturais e injetando conteúdos que separavam a população em vez de uni-la.

Em suma, o patriotismo no Brasil é uma ferramenta de controle político e o homem por ser um animal político se tornou vítima do ideal que o controla. Portanto, a comunidade excluída pela ressignificação do termo patriota, deve se unir por meio de comunidades digitais, com finalidade de desmistificar o termo, desse modo, promovendo os ideais de união exibidos pelo patriotismo em sua origem e acabando com a função mecânica de controle populacional causada pela polarização, que beneficia indivíduos, não a pátria.