O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 21/06/2021

A lógica patriótica

Como decorrência da revolução agrícola, os humanos puderam estabelecer-se em um local fixo, abandonando o estilo de vida caçador-coletor. A criação de territórios foi imprescindível para o desenvolvimento da espécie e da domesticação de animais e plantas. Os indivíduos nesse contexto tem papéis bem definidos na sociedade, e a colaboração e na confiança entre os conterrâneos floresce mutuamente com a identidade de grupo e individual. No entanto, apesar de o estilo de moradia sedentário e fixo se manifestar até hoje, a dinâmica social se transfigurou bruscamente. Em uma sociedade intrincadamente interligada, as funções individuais não são mais tão claras. A mentalidade individual sobrepujou a social. Esse efeito, dentre outras causas, é consequência do mecanismo capitalista de produção e consumo, que transforma o homem em um ser fabril, o desnaturaliza por meio do trabalho e o aliena de seu próprio produto, como desenvolve Karl Marx em seus manuscritos econômico-filosóficos ao contrário do que se via nas sociedades feudais, por exemplo. A evolução prestigiou aqueles humanos que apresentavam capacidades gregárias e de comunicação com seus semelhantes, pois isso os favorecia na luta pela sobrevivência de seus genes. A produção global, onde cada parte do produto é produzida em uma localidade, causa altíssima interdependência, mas pouco ou nenhum sentimento de união entre as partes. Dessa maneira, observa-se a espécie que ascendeu devido à sua capacidade de trabalhar em conjunto subitamente desempenhando essa habilidade em escalas territoriais nunca antes compreendidas durante os 300.000 anos de sua evolução. Não é surpreendente que essa abrupta mudança cause consequências psicológicas nos Homo Sapiens, muitas vezes expressadas na forma de indiferença, confusão, depressão e sentimento de não pertencimento. Os homens são, cada vez mais, Estrangeiros de Albert Camus. É preciso, portanto, instaurar novamente o sentimento de união entre os homens, com fins de, por exemplo, restaurar a fé na democracia. Algumas medidas educacionais devem ser tomadas pelo Ministério da Educação que visem o ensino e a valorização das mitologias brasileiras, que configuram uma eficiente ferramente de união da brasilidade e um ótimo símbolo da cultura do país, para demonstrar às novas gerações que há perspectivas em que, naturalmente, as pessoas amem sua nação, ou, no mínimo, seu grupo social. Devem ser incluídos nos meios de comunicação - como rádio, programas televisivos e jornais - símbolos da arte de todos os cantos do Brasil. Assim, em adição à imersão em realidades distantes de um mesmo território, os alunos desenvolverão sua identidade e amor à nação.