O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 20/06/2021

O termo “descobrimento”, para se referir ao Brasil por volta de 1500 d.C, contempla a narrativa histórica construída pelas gerações que perpassam o tempo enquanto autoridade e classe dominante, no Brasil. Tal narrativa, assim como tantas outras, excluí o passado de outras parcelas da população, condicionando à falta de pertencimento à pátria das populações invisibilizadas pela história, na atualidade.

A priori, para explicar o processo de invisibilização e ocultação das contribuições culturais e sociais não assimiladas pela realidade europeia e ‘saber’ ocidental, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos cria o termo ’epistemicídio’.  Desse modo, tendo conhecimento de que séculos antes da vinda dos europeus no continente americano haviam civilizações e tecnologias de povos milenares neste território, compreender a história do Brasil a partir do século XV, invisibiliza o passado dos povos indígenas, sendo assim, um epistemicídio. A exemplo disso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), exige com menos intensidade os estudos sobre América Pré-Colonial - que consiste em um período de tempo maior em comparação ao Pós-Colonial-, na base curricular do ensino básico. Enquanto que os acontecimentos históricos sucessores à vinda dos primeiros europeus para o Brasil, possuem maior peso nos materiais didáticos e são mais cobrados pela base curricular do MEC, mesmo envolvendo períodos que juntos possuem menor acúmulo de tempo.

Por conseguinte, para o advogado e consultor ambiental Antonio Fernando Pinheiro Pedro, o patriotismo é um sentimento de identificação do indivíduo com o meio em que vive, pois segundo ele, sem esse “sentimento de pertencimento, não há como exercer o indivíduo a sua cidadania”. Desse modo, o ’epistemicidio’ e o apagamento da história através da narrativa dos dominadores sobre os dominados, têm uma correlação tangível com a falta de pertencimento de um indivíduo ou grupo sobre um território, uma vez que tanto povos quanto territórios são constituídos por histórias.

Em síntese,  cabe ao MEC dar mais ênfase aos temas que abordem as etnias não brancas, como povos indígenas, quilombolas e a população negra, acrescentando na formação dos cidadãos brasileiros a obrigatoriedade de estudar a história de toda a populçao brasileira, a realidade local e nacional de forma crítica, através das instituições de ensino. Logo, através do conhecimento sobre as caracteríticas locais e históricas de um país, o sentimento de pertencimento da população viabiliza o patriotismo.