O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 21/06/2021
A identidade brasileira
“Se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la.” A frase dita por Tiradentes, um dos líderes da Inconfidência Mineira, está carregada de um sentimento de natureza patriota. Tal sentimento é essencial para a prosperidade do país e corrobora com a criação de uma identidade nacional. No entanto, ao contrário do senso comum, patriotismo não prega apenas amor pelo desenvolvimento de sua própria nação, mas também a alegria em ver outras prosperarem. No cenário brasileiro atual, o significado de patriotismo foi deturpado, e tornou-se uma fachada para discursos de ódio de grupos extremistas. É necessária a distinção entre patriotismo e nacionalismo, um sentimento demasiadamente ufanista que leva à xenofobia.
A priori, o nacionalismo difundido no Brasil não é um sinal do avanço da nação, e sim o contarário. Tal filosofia é a base de um governo repressor e autoritário, como pode ser exemplificado pelo slogan do período ditatorial brasileiro “Brasil: ame-o ou deixe-o”. O surgimento de lemas como esse na contemporaneidade devem ser interpretados como um sinal, e não uma coincidência. Além disso, a forma como tais grupos nacionalistas também rebaixam a nação perante outras potências é paradoxal.
A fim de explicar tal fenômeno contraditório, o jornalista Nelson Rodrigues cunhou o termo “complexo de vira-lata”, que consiste na sensação de inferioridade que os brasileiros sentem em relação a outros países. É contrastante a forma como o Brasil e outras nações tratam a própria cultura, como a abundância de estrangeirismos que surgem no português brasileiro, enquanto países como a França, por exemplo, se dedicam arduamente à criação de palavras originais para termos de origem inglesa. Ao mesmo tempo que outros países se orgulham de sua identidade, sua arte e suas tradições, é comum um produto nacional ser tratado com preconceito no Brasil.
Dessarte, evidentemente é necessária a construção de uma identidade nacional brasileira que se orgulhe de suas origens mas sem o ufanismo torpe do nacionalismo atual. A fim de educar as crianças sobre as raízes de sua nação, o Ministério da Educação deve implementar o ensino de algumas das principais culturas indígenas nas escolas. Além disso, o modo como a colonização é ensinada deveria ser aprimorado para destacar os povos que habitavam esta nação antes da chegada dos europeus. Ademais, a Secretaria Especial da Cultura deve incentivar a arte brasileira por meio do aumento do financiamento de órgãos como a Ancine e divulgar obras brasileiras. Desta forma, os cidadãos valorizarão mais a cultura brasileira e o nacionalismo será substituído por um saudável patriotismo.