O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 21/06/2021

No livro Triste fim de Policarpo Quaresma, do autor brasileiro Lima Barreto, o personagem principal é submetido a diversas críticas e retaliações por ser um ufanista da sua pátria. Não distante da realidade brasileira atual, diversos indivíduos sofrem dificuldades análogas as de Policarpo no que tange à questão do patriotismo. Sob essa ótica, o estigma associado ao patriotismo e o sentimento de inferioridade dos brasileiros em relação a outras nacionalidades corroboram para a persistência do problema.

Convém ressaltar, a princípio, que o estigma associado ao patriotismo corrobora para a permanência do problema. Conforme a propaganda veiculada na época da ditatura militar intitulada Brasil, ame-o ou deixe-o, observa-se que o pensamento patriótico era imposto de tal maneira que o cidadão se via obrigado a possuir o sentimento de amor à pátria. Nesse sentido, pode-se observar que a associação do patriotismo à ditatura militar influencia a sociedade a adquirir um olhar crítico para o nacionalismo e seus seguidores. Dessa forma, o patriotismo transformou-se de um sentimento que era estimulado e aprovado pela sociedade a algo que não deve ser incitado a fim de promover a permanência da sociedade democrática.

Outro ponto relevante nessa temática é o sentimento de inferioridade dos brasileiros em relação a outras nacionalidades. Segundo o documentário O complexo de vira-latas, a sociedade brasileira valoriza mais a cultura estrangeira em detrimento da própria. Dessa forma, o sentimento patriótico não consegue se desenvolver de maneira saudável no Brasil, uma vez que os próprios cidadãos  consideram a cultura e o país como inferiores. Nessa ótica, o patriotismo segue sendo um sentimento considerado antiquado e desnecessário por parcela expressiva da população.

Portanto, visto os problemas referentes ao estigma associado ao patriotismo é necessária uma intervenção. Assim, os grupos sociais especializados, com o apoio de ONG’s também especializados, devem desenvolver ações que revertam o estigma associado ao patriotismo. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertam sobre as condições reais da questão, comparando o tratamento que a sociedade dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram o problema. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para identificar e dar visibilidade a ação a fim de conscientizar a população sobre os problemas provocados pelo estigma associado ao patriotismo. Além disso, o governo federal, deve promover campanhas educativas sobre a cultura nacional e o patriotismo a fim de incentivar o amor à pátria de maneira saudável e democrática. Talvez assim, seja possível construir um país do qual Policarpo Quaresma pudesse se orgulhar.