O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 18/09/2020
O Modernismo, movimento artístico, literário e cultural que surgiu em 1922, durante a sua primeira fase, tinha como um de seus objetivos estabelecer uma consciência identitária na população brasileira, a fim de valorizar a cultura nacional. No entanto, quase um século após esse marco, observa-se que tal prerrogativa, no cenário hodierno, não tem recebido grande atenção, o que se evidencia pela fragilidade da questão patriota no país. Diante disso, cabe destacar que entre os fatores que condicionam essa problemática, encontram-se falta de investimentos, por parte do poder público, nas várias esferas sociais, o que gera, por consequência, um intenso sentimento de inferioridade em relação ao restante do mundo.
Em primeiro plano, é válido salientar que, segundo o filósofo Tomas Hobbes, em sua obra “O Leviatã”, o Estado é a instituição responsável por garantir a fluidez e a harmonia entre a coletividade. Todavia, observa-se que tal assertiva não é colocada em prática, haja vista que, conforme exposto pelo jornal “Gazeta do Povo”, a falta de investimento nas várias esferas sociais, como, por exemplo, saúde, educação, segurança, lazer e cultura intensificam a perda do sentimento nacionalista entre os indivíduos, devido ao fato de se sentirem desamparados pelo poder cuja função, assegurada constitucionalmente, seria protegê-los.
Por conseguinte, devido a esse descaso, muitos brasileiros deixam de lado sua expressão ufanista e sentem que as outras culturas são superiores, o que gera, dessa forma, a intensificação do processo denominado de “Complexo de Vira-Lata”, que representa, segundo o dramaturgo Nelson Rodrigues, a inferioridade que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em relação ao restante do mundo. Nesse viés, a fim de romper com essa alarmante realidade, urge que medidas sejam tomadas o quanto antes, com o fito de restaurar, entre os cidadãos, o sentimento de pertencimento à pátria.
Em suma, diante dos conflitos abordados, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, fomentar a formação identitária de seu povo, mediante investimentos e criação de soluções para problemáticas sociais que vigoram na atualidade, como a questão da educação, saúde e segurança que, no contexto hodierno, encontram-se fragilizadas. Tal ação poderia ser realizada por meio da alocação de recursos do Ministério da Economia e por apoios de entidades governamentais, com o intuito de promover a restauração da questão do patriotismo no Brasil e despertar nos cidadãos a noção de pertencimento à pátria. Com isso, pode-se almejar um país que valorize suas próprias raízes culturais e que seja semelhante daquele desenvolvido, no século passado, pelo Modernismo.