O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 17/09/2020
Nas eleições de 2018 o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” foi usado na campanha que elegeu o candidato Jair Messias Bolsonaro. A finalidade da campanha era despertar o sentimento patriótico dos brasileiros através de símbolos nacionais, apoio dos militares e cristão. Nesse sentido, a narrativa deu certo pois a crença inconsciente dos brasileiros no contexto político vivenciado, era a necessidade de ruptura total com o modelo que estava em curso. Porém, tais conceitos patrióticos foram deturpados e com isso emerge a necessidade de compreender a carência de informação e conceituação acerca do assunto pelos brasileiros.
Em primeiro lugar, é preciso compreender que o viés usado na campanha é nacionalista. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre quando indivíduos são excluídos e marginalizados por terem crenças ou convicções opostas a política ideológica em exercício. De maneira semelhante, Hitler utilizou a religião e Deus durante o nazismo. Na época, a defesa de valores extremistas, estavam associados ao amor à pátria. Hoje já é sabido que a ideologia alemã era nacionalista, ou seja, exaltava valores e características que julgavam ser o ideal de uma organização social.
Por conseguinte, presencia-se um forte poder de influência desses símbolos na população, pois, a imagem do patriota se associou ao amor a bandeira, repulsa a política atual e devoção a Deus. Esse sentimento de pertencimento a um grupo (patriotas), uniu milhões de brasileiros e excluiu outros milhões. O contraste ocasionado foi de pessoas que, apesar de se considerarem defensores da pátria, foram afastados por discursos preconceituosos do então candidato. Nesse ponto, vale salientar a definição correta de patriotismo segundo o dicionário Michaelis: “Amor à pátria, devoção ao seu solo e às suas tradições”. Compreender esse conceito é crucial para desmistificar a associação de Bolsonaro a ele pois, nessa lógica, ao incentivar queimadas na Amazônia, desmarcar terras indígenas e cercear o desenvolvimento da cultura e educação, ele está em desacordo com os preceitos patrióticos.
Portanto, é mister que Organizações Não Governamentais tomem providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Greenpeace crie, por meio de verbas não governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que convidem os brasileiros a participar em programas voluntários de conservação do Brasil, sugerindo a cada cidadão procurar uma ONG em sua localidade e colaborar com a construção de um país melhor. Somente assim, com o real desenvolvimento cívico de cada brasileiro, será possível integrar uma nação patriótica, que lute por um objetivo em comum: o desenvolvimento do Brasil.