O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 17/09/2020

“Os brasileiros são desterrados em sua própria terra.” Diante das palavras do historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, torna-se possível ilustrar um cenário que é progressivamente comum entre os cidadãos do Brasil: a ausência de identificação com o país e do sentimento de patriotismo. Esse contexto deriva de uma grande desvalorização da cultura brasileira, uma vez que, no mundo globalizado, a mídia enaltece cada vez mais as superpotências mundiais. Além disso, a ineficiência do Estado no que tange à promoção do bem-estar da população é um forte agravante da problemática.

Em primeira instância, faz-se essencial discorrer a respeito da depreciação à cultura da nação recorrente no século XXI. Conforme a ideologia desenvolvida pela Escola de Frankfurt, a mídia, as artes e os demais meios de entretenimento são produzidos com o intuito de exaltar e propagar ao máximo a cultura e os produtos dos países hegemônicos, visando à lucratividade. Sob tal ótica, fica evidente que a manipulação das massas através dos filmes, séries, músicas e redes sociais é um obstáculo na construção do patriotismo na população brasileira, tendo em vista que a supervalorização dos costumes estrangeiros em detrimento dos nacionais diminui em grande escala a sensação de identificação do cidadão com sua terra natal.

Em segunda instância, torna-se necesário ressaltar que o descaso governamental em relação à disponibilização igualitária dos direitos que conferem vida digna aos habitantes constitui outro fator que desconstrói o patriotismo. De acordo com o geógrafo brasileiro Milton Santos, em seu texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, quandos os direitos são concedidos a todos os indivíduos. Isso demonstra que, no Brasil, onde a população de baixa renda não tem acesso à educação, saúde ou lazer de qualidade - direitos promulgados na Constituição Federal de 1988 -, a democracia é incompleta, e a cidadania, mutilada. Tudo isso contribui para a estruturação de uma sociedade que, sendo majoritariamente pobre, antipatiza com o Governo e, consequentemente, com a pátria como um todo.

Destarte, é incontestável que o número de brasileiros patriotas tem se tornado cada vez mais escasso, o que configura uma situação conturbada, que pode levar a uma estagnação político-econômica no país. De maneira a evitar que isso ocorra, urge que o Ministério da Educação, paralelamente ao apoio familiar e à educação doméstica, crie uma disciplina nomeada de “ética civil”, que venha a ensinar a importância do patriotismo para a nação e que seja aplicada às instituições de ensino de todo o país. Isso deve ser realizado com a intenção de, desde a infância, fomentar o amor e o orgulho à pátria, além da compaixão e solidariedade para com os compatriotas.