O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 07/09/2020
O super-herói “Capitão América”, criado pela Marvel ainda no contexto da Guerra Fria, serviu como símbolo nacionalista americano ao fomentar a ideia de que o Estados Unidos era superior à União Soviética. Apesar do hiato temporal, sabe-se que, ainda na contemporaneidade, a carência de símbolos brasileiros é fruto de uma nação não patriótica. Dessa forma, é válido analisar as causas históricas e atuais que fazem o não patriotismo brasileiro persistir.
Faz-se necessário pontuar, de início, que a não identificação da população brasileira com o país é evidente. Esse cenário é fruto de um longo processo histórico, haja vista que desde a Proclamação da República- acontecimento comandado pela oligarquia elitista brasileira- a população civil não participa, nem se reconhece nas medidas tomadas pelo Governo, a ponto de terem assistido “bestializados”ao fato supracitado. Tal conjuntura foi analisada pela historiadora Lilia Schwarcz, a qual apontou que a independência do Brasil formou um Estado, mas não uma nação, já que a população não se reconhece como tal.
Cabe ressaltar, ainda, que a marginalização, advinda da desigualdade social, faz o impasse persistir de forma pungente. Isso porque as péssimas condições de moradia, bem como a falta de estrutura educacional da população carente, fomentam uma descrença dos civis na efetividade do Estado. Esse cenário, segundo Ermínia Maricato -urbanista brasileira- é o principal motivo da falta de patriotismo populacional, visto que é cruel cobrar um patriotismo de um país em que há mais de treze milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, de acordo com o IBGE.
Destarte, nota-se que a falta de patriotismo brasileiro é fruto de uma histórica ineficiência governamental em garantir os direitos plenos dos cidadãos. Assim, para que todos os brasileiros tenham acesso à moradia, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional ampliar a concessão de residências à população carente. Tal ação ocorrerá por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, a partir do qual todos os cidadãos com renda menor que um salário mínimo deverão participar do programa “Minha casa, minha vida”. Ademais, o Ministério da Educação deverá destinar maior parte dos recursos educacionais a regiões carentes. Somente assim, o sentimento patriótico brasileiro será real.