O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 24/08/2020
O Romantismo brasileiro, inaugurado em 1836, valorizou forte patriotismo em seus textos literários. Muitos foram os símbolos das nacionalistas reveladores desse amor pela pátria: fauna, flora, índio, folclore e língua, revelando assim intenso ufanismo. No entanto, percebe-se que, na contemporaneidade, há acentuada crise de pertencimento do brasileiro a seu país, justificada pelo frágil patriotismo sazonal e pela marcante influência cultural de países como os Estados Unidos América.
Primeiramente, as manifestações patrióticas do Brasil acontecem, geralmente, em datas específicas como a Copa do mundo, Olimpíadas, Carnaval e, dependendo do ano, nas eleições. Essa postura marcadamente temporária aponta, muitas vezes, uma fragilização de afeto do brasileiro com sua nação, operando, consequentemente, o individualismo frente ao patriotismo. Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade líquida”, o sujeito contemporâneo vive uma crise de valores ao enaltecer a busca de seu sucesso pessoal e ao preferir, muitas vezes, a superficialidade das relações afetivas e sociais. Assim, esses problemas atuais acentuam a diminuição de civismo em relação ao nosso país, pois o sujeito, inserido em uma cultura do “ter” em vez do “ser”, se sente muito mais apegado aos seus propósitos individualistas do que às realizações sociais em benefício a pátria. Outro argumento é a intensa influência de países, principalmente a dos Estados Unidos. Músicas, séries e filmes americanos, por exemplo, impõe, a todo o momento, a visão de mundo do país de Tio Sam ao ditar sua ideologia capitalista de mundo, isto é, o “American way of life”. O dramaturgo Nelson Rodrigues, na década de 1950, usou o termo “complexo de vira-lata” para indicar a falta de autoestima do brasileiro quando super valoriza a cultura estrangeira e menospreze as tradições culturais como o folclore, a música, a dança, a literatura e os patrimônios histórico-artísticos de seu povo. Desse modo, esse jeito de ser do cidadão persiste e demonstra o quanto tem que ser desprendido, revelando novamente o que os poetas românticos, a exemplo de Casimiro de Abreu, já pregavam: “muitos cantam sua terra, também eu cantarei a minha”.
Portanto, com vistas a potencializar o sentimento patriótico e a divulgar a riqueza e a diversidade dos símbolos brasileiros a estudantes e ao cidadão comum, o Ministério da Educação e a Secretaria Especial da Cultura devem elaborar campanhas publicitárias e projetos educativos e artísticos por meio de atividades cinematográficas que unam o universo escolar e a classe artística, produzindo, especificamente, adaptações de diversas tradições culturais brasileiras para o audiovisual a serem apresentadas em rede de televisão e antes da exibição de filmes no cinemas e a serem trabalhadas nas disciplinas escolares de sociologia, de história,de português, de artes e, claro, de literatura.