O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 13/08/2020
“Brasil, ame-o ou deixe-o”. Esse slogan da Ditadura Militar de 1964 representa uma deturpação do que é, de fato, ser patriota. No entanto, a ideia de marginalização e ignorância daqueles que não se identificam com a pátria ainda permanece como resquício da década de 60. Sendo assim, é válido questionar as raízes do deturpado patriotismo no Brasil, destacando dois aspectos: o sistema educacional bancário e a supervalorização do exterior em relação ao interior.
É importante destacar, inicialmente, o falho sistema educacional brasileiro como fator determinante para a falência do sentimento patriótico no Brasil. Isso porque, embora a educação devesse desenvolver integralmente o indivíduo, o que se percebe, na realidade, é a bancarização do ensino, ou seja, o mero depósito de informações no aluno. Tal fenômeno, estudado pelo pedagogo Paulo Freire, prejudica a conscientização e a identificação do estudante para com sua pátria, fato evidenciado no sentimento de não pertencimento ao território e na falta de cidadania do brasileiro. Por conseguinte, nota-se o elevado fluxo emigratório de cérebros no país, denominado “fuga de cérebros”, os quais buscam por melhores condições de vida e acolhimento em outros países. Essa fuga, segundo pesquisa da Receita Federal, aumentou 184% em 8 anos. Desse modo, entende-se que o nacionalismo está em decaimento no país, levando ao questionamento do amor à pátria e sua dignidade.
Além do sistema educacional bancário, um outro fator relacionado ao patriotismo no Brasil refere-se à supervalorização do exterior em relação do interior. Acerca disso, o escritor Nelson Rodrigues defende a ideia de que o brasileiro detém um “complexo de vira-lata”, ou seja, tende a valorizar o que internacional em detrimento do nacional. Tal sentimento pode ser justificado pela falta de infraestrutura do Brasil, observada nas escassas áreas de lazer arborizadas e na falta de segurança pública, resultado de um planejamento urbano inadequado e do descaso com o bem-estar da população. Essa situação reflete-se, também, na cultura nacional, notadamente, desvalorizada e marginalizada em favor de produções externas. Dessa maneira, o impatriotismo é fomentado em uma sociedade composta, segundo o escritor, por “narciso às avessas, que cospem na própria imagem”.
Portanto, é essencial que o conceito de patriotismo no Brasil seja reformulado por uma sociedade consciente. Por isso, o Ministério da Educação deve implementar um modelo de educação aos moldes freirianos nas escolas, por meio de um maior redirecionamento do PIB para a educação, qualificando-a. Esse modelo estimula o sentimento patriótico, a formação integral dos indivíduos e sua conscientização, favorecendo a ética, o civismo e o nacionalismo. Dessa forma, a deturpação patriótica evidente durante a Ditadura Militar não mais será uma realidade.