O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 05/05/2020

No momento em que o Brasil se tornou República, no século XIX, dizia-se que as margens plácidas “ouviram” o brado retumbante de um povo heroico, disposto a lutar por essa pátria amada. Conquanto, hodiernamente, tal visão de amor ao país de origem, lastreada no “Hino Nacional”, passou a convergir à uma ficção para parcelas expressivas da população canarinha. Esse problema ocorre, principalmente, em face do pouco embasamento educacional acerca de aspectos positivos da nação, o qual o corpo social tem recrudescido como cultura e tem relegado o país a uma não identidade.

A priori, é imperioso ressaltar a falta de autonomia cultural no que concerne à sedimentação do modelo anti-patriótico brasileiro. A explicação para este fator está, sobretudo, em sua origem: a Independência. Uma vez que as camadas mais abastadas buscavam o melhoramento da sociedade brasileira, trazendo outros povos, para “embranquecer” o país e, além disso, os escritores romancistas nativos fomentavam uma visão de um Brasil europeu, dessa forma, foi instaurada, com base nesses pensamentos, uma educação, hoje, incapaz de fornecer amplo conhecimento acerca do patrimônio histórico e cultural - ferramenta fundamental e basilar de uma nação patriótica-. Assim, é substancial a alteração desse quadro, para que haja uma identidade nacional e, a partir disso, o amor à pátria.

Sob outro angulo, em consequência do fator supracitado, vislumbra-se o enaltecimento de outras nações como melhores em detrimento da própria por demasiado contingente de cidadãos. Segundo o escritor Nelson Rodrigues, a população canarinha admira tudo o que vem de fora como estando acima de qualquer comparação com o Brasil, fenômeno nomeado pelo autor como “complexo de vira lata”. Nesse sentido, tal problema é potencializado, de certa forma, pela sazonalidade movimentos patrióticos, como a Copa do mundo, eleições para presidência e carnaval. Dessa forma, faz-se necessário ações que criem e fortaleçam o sentimento de valorização e desenvolvimento do país.

Depreende-se, portanto, que o patriotismo, no Brasil, é um desafio que ocorre, infelizmente, devido à falta de uma autonomia cultural e carece de medidas que aproximem os problemas de suas efetivas soluções. Para tanto, a Mídia, principal veículo formador de opinião, deverá criar, em conjunto com historiadores e artistas, campanhas que, ao serem transmitidas em larga escala na internet e na televisão, abordem características positivas multiculturais de várias regiões do país, a fim de incentivar a curiosidade nas pessoas em conhecer todos os aspectos de sua formação. Paralelo a isso, o MEC deve propor mudanças graduais na educação pública ao fornecer leituras elucidativas, não ideológicas, capazes de criar a noção de identidade e amor à pátria. Desse modo, os brasileiros torna-se-ão, efetivamente, o povo heroico, de brado retumbante, que não foge à luta de ter um Brasil melhor.