O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 25/04/2020

No livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, com autoria de Lima Barreto, é comentada a vida de um militar brasileiro que, devido ao seu sentimento de amor à pátria, propõe diversas melhorias ao seu município e para as pessoas que nele vivem. Entretanto, devido à precária formação de uma identidade cultural, o sentimento patriótico, no Brasil, não adquire grandes dimensões. O impasse em questão prejudica a consolidação do desenvolvimento nacional e merece maior atenção.

Primeiramente, é importante citar a constante perda da identidade cultural entre a população brasileira atualmente. A esse respeito, com a crescente presença do processo de globalização e privatizações em território nacional, diversos produtos e padrões de conduta estrangeiros, como os veículos japoneses da marca Nissan e as musicas Pop americanas, ganharam maior espaço de  atuação entre os brasileiros. Dessa forma, o sentimento de identidade nacional e diversos patrimônios culturais, como músicas e costumes tradicionais, caem no esquecimento. Tal problemática que se comprova ao tomar como base as pesquisas publicadas pelo Jornal BBC, em que o número de brasileiros a visitar o Museu Nacional em 2017 foi menor que o número destes a irem ao Museu do Louvre no mesmo ano.

Ademais, vale comentar as consequências que a falta do patriotismo contemporâneo pode gerar à vida em comunidade no Brasil. Acerca dessa perspectiva, de acordo com o filósofo Aristóteles, uma comunidade humana só atinge níveis de desenvolvimento consideráveis caso tenha em sua estrutura indivíduos vivendo em atividade cooperativa e sentimento de pertencimento dentro da pólis. Assim, a perda do sentimento patriótico condena o país à conflitos internos devido ao descontrole da perspectiva individualista e a crescente queda do ideal de bem comum, levando o cidadão e sua nação à decadência.

Com base nos fatos discorridos, percebe-se a necessidade de medidas que possibilitem o desenvolvimento do sentimento patriótico no Brasil, tal qual ocorre no livro de Lima Barreto. Para tanto, a Secretaria de Educação (SEB), em parceria com o Poder Legislativo, deve, por meio do investimento das verbas destinadas à educação no ensino fundamental e médio, disponibilizar as obras literárias dos escritores mais famosos e influentes do país, tal qual Machado de Assis e Tomás Antônio Gonzaga, para as bibliotecas das instituições públicas  de ensino, assim como a elaboração de leis no Congresso que tornem obrigatório que, em todas as emendas de escolas públicas, os alunos devam ler as obras mais consagradas de tais escritores. Com isso, os jovens terão, desde o inicio de sua formação, o contato com os principais fragmentos da cultura brasileira e despertarão o sentimento patriótico em si.