O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 16/04/2020
Durante a Idade Antiga, as cidades-estado gregas só consideravam cidadãos aqueles cujo local de nascimento fosse o próprio território, sendo impossível alterar esse critério. Hodiernamente, essa norma foi reconfigurada e adaptada para as novas nações, representada em forma de pensamento pelo patriotismo. Entretanto, sua presença no Brasil se tornou tão intensa que gerou uma série de consequências, dentre elas, a completa segmentação ideológica e a ineficiência das ações governamentais.
Em primeira análise, a Guerra dos Cem Anos, conflito bélico entre França e Inglaterra durante o século XIV, foi a responsável, de maneira inédita, por instigar a população de um país a lutar não apenas por território, mas também pelo monarca, o que gerou um sentimento de pertencimento àquele reino, o qual foi cada vez mais difundido pelo mundo a partir de então. Todavia, em momentos atuais, essa sensação encontra-se em êxtase na sociedade brasileira, que combate a si mesma, com duas ideologias antagônicas que se intitulam patriotas, cada qual vendo o lado político oposto de maneira maniqueísta, impossibilitando, dessa forma, qualquer diálogo entre elas, a exemplo dos conflitos em manifestações que ocorreram durante o último período eleitoral.
Em segunda análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão ressalta que, para que um Estado seja administrado da melhor maneira possível, seus governantes devem, acima de tudo, amar a pátria a qual lideram. Porém, tendo em vista o estado caótico e da falta de comunicação partidária brasileira, conforme foi supracitado, o ideal estabelecido torna-se inviável, devido ao fato de que se há apenas o representante de um dos lados no poder, o oposto fará o possível para inviabilizá-lo e impedir seus projetos, quaisquer que sejam de serem aplicados, o que acaba por estagnar o progresso nacional, como visto no atual mandato, cujo presidente encontra sérias dificuldades em aprovar suas reformas.
Faz-se necessário, dessarte, a reversão deste crítico dilema ideológico. Nessa lógica, cabe à sociedade e às organizações não governamentais promover diálogos e aulas gratuitas com professores e em espaço aberto, disponível para todas as idades, sobre todos os temas relevantes à nação e de maneira interativa, para permitir um melhor aprendizado, reduzindo, dessa forma, a própria ignorância comunitária e, por conseguinte, possa eleger líderes ainda patriotas e que possam também dialogar com as duas frentes para convencê-las de que não estão totalmente certas ou erradas, a fim de que o ideal platônico possa de fato se concretizar e o Brasil prospere novamente.