O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 04/05/2020
“Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Crianças! Não verás nenhum país como este!”, escreveu o poeta Olavo Bilac, no poema infantil “A Pátria”. Tal obra demonstra amor, orgulho e valorização de vários aspectos do Brasil, sentimento esse chamado de patriotismo. Sob essa óptica, tal concepção é essencial para a união dos brasileiros e a construção de um país melhor para todos, mas devido ao uso do nacionalismo como forma de manipulação política, tal sentimento é distorcido e necessita ser resgatado.
Nessa perspectiva, a união entre brasileiros é essencial para o contínuo desenvolvimento do país, e a única forma de fazer isso é cultivando o patriotismo. Nesse sentido, o Brasil é gigante e heterogêneo, abrigando inúmeras línguas, costumes, histórias e tradições que constituem uma variedade cultural imensa. Diante de todas essas diferenças, a única coisa que une todos os brasileiros em um só grupo é o fato de todos morarem no mesmo território; por isso, é evidente a necessidade do patriotismo. Nesse contexto, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama disse, após ganhar a eleição primária de Iowa, que “ao enfrentar as situações impossíveis, as pessoas que amam seu país podem mudá-lo”. Dessa forma, o incentivo ao amor e ao respeito ao país, suas particularidades e seus habitantes é muito importante para formar o sentimento de pertencimento e solidariedade entre todos, e assim gerar mudanças em benefício à população como um todo.
No entanto, o uso do nacionalismo para fins políticos distorce os ideais do patriotismo e acaba contribuindo para polarizar a população. Sob esse entendimento, ao contrário do patriotismo, o nacionalismo é uma ideologia surgida no século XIX que forma uma identidade nacional definida, fundamentando, através dela, ações políticas envolvendo noções de “autodeterminação” e “soberania” de um povo. Assim, governos investem no sentimento nacionalista para manipular determinados grupos, conquistando assim apoio e ações ao seu favor, ao defender determinadas medidas como defesa dos interesses nacionais. Um exemplo disso é o governo do presidente Médici, cujo slogan era “Brasil: ame-o ou deixe-o”, reforçando o nacionalismo e dividindo a população entre os “defensores da pátria” e os “traidores” que deveriam ser combatidos, no auge da repressão do Regime Militar.
Portanto, é necessário que as escolas ensinem os alunos desde criança até a adolescência a amar e respeitar toda a diversa cultura do país, através de aulas e palestras com professores especializados em Antropologia ou áreas afins, com o objetivo não apenas de instruir futuros cidadãos a valorizar e cuidar melhor do grande país onde eles vivem, mas também de evitar que sejam manipulados por falsos patriotas. Dessa forma, o Brasil será amado com fé e orgulho.