O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 22/10/2019

No filme “A onda”, um professor lidera um experimento social que evidencia como a identificação de pertencimento a um grupo pode manipular o indivíduo. Analogamente, na contemporaneidade, a falta de patriotismo tornou os movimentos sociais unilaterais, os quais buscam, em sua maioria, não a prosperidade da nação, mas sim dos indivíduos que os compõem. Dessa forma, o bem-estar nacional é posto em xeque, dificultando o exercício da democracia e a expressão das várias culturas tupiniquins.

Dessa forma, com a falta de identificação pelo país como um todo, as decisões buscam beneficiamr apenas uma parcela da sociedade, enquanto que, na verdade, deveriam contemplar a diversidade social brasileira. A exemplo, tem-se não só o movimento pró-ditadura, como também o contra a reforma de previdência, que são expressões políticas que não consideram os reflexos negativos de suas escolhas sobre o restante do país. Tal filosofia individualista é criticada por Schopenhauer, ao dizer que o homem toma, muitas vezes, o limite de sua visão como o do mundo. Isso indica que a falta do pensar coletivamente é resultado da ausência de patriotismo, uma vez que é fundamental, para o sucesso da democracia, a noção de que a prosperidade depende do bem-estar de todas as esferas sociais

Além do mais, a ausência de patriotismo prejudica a liberdade de exercício das várias expressões culturais brasileiras. Ou seja, saber que a formação do Brasil foi consequência da fusão de inúmeras culturas é reconhecer o valor individual de cada uma. No entanto, pensar o indivíduo enquanto pertencente a apenas uma delas, compromete a importância de todas as outras na construção da identidade nacional, facilitando a disseminação do preconceito. De maneira semelhante, Michel de Montaigne defende o relativismo, não existindo, portanto, a egemonia cultural, mas sim a relevância ímpar da cada uma para o indivíduo e a de todas para o diverso Brasil.

Portanto, para contornar os impasses gerados pela desvalorização da identidade nacional, é necessário estimular, via Ministério da Educação, em parceria com o da Cidadania, o reconhecimento dos vários Brasis como formadores de uma ampla nação oriunda da fusão de centenas de culturas. Para isso, deve ser fomentado pelas secretarias de educação, desde a juventude, visitas escolares a aldeias indígenas, museus culturais, centros históricos e órgãos políticos, acompanhados por um guia que exponha a contribuição de todas as culturas na construção da unidade brasileira, bem como os reflexos de todas elas na construção política do país, divulgando como o Brasil deve ser visto não como vários partidos, mas sim enquanto uma única nação. Assim, o patriotismo irá garantir não só a valorização de todas as culturas formadoras do Brasil, como também o exercício da democracia enquanto ferramenta para garantir os direitos de todos aqueles que compõem a sociedade brasileira.