O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 21/10/2019

Verás que o filho teu não foge à luta: pela vida.

Em sua obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, o autor pré-modernista Lima Barreto exprime no protagonista duas formas de patriotismo: uma branda e adequada e outra eloquente e exagerada. Fora das páginas, é fato que o sentimento nacionalista é imprescindível para a construção de uma nação, no entanto, quando exacerbado, pode acarretar problemas. Desse modo, é importante compreender como o patriotismo atua de forma benéfica, bem como a necessidade de limite frente a sua face de ufania.

A princípio, reconhece-se como o ideal nacionalista é fator sine qua non para o assentamento do Estado. Acerca disso, rememora-se o discurso do sociólogo Florestan Fernandes, que disserta que, no período do Segundo Reinado brasileiro, a tentativa de Dom Pedro em assumir símbolos nacionais como o indígena e a criação de uma bandeira foi necessária para que as rebeliões emancipacionistas findassem-se e uma ideia de unidade nacional fosse criada. Logo, a inexorabilidade do nacionalismo assenta-se, principalmente, no papel de unir os cidadãos acerca dos interesses mútuos de um Estado.

Por outra ótica, a visão ufanista, no que tange o patriotismo, pode ser nociva a quem a pratica. De acordo com o antropólogo Darcy Ribeiro, a problemática do nacionalismo exacerbado constitui-se na defesa dos ideais de nação acima dos direitos da pessoa humanas. Portanto, a propaganda estatal ufanista como a dos governos militares à época de 1970 foi pressuposto legitimador para que o regime ditatorial vigorasse com, inclusive, apoio civil, concernindo a face negativa do patriotismo.

Destarte, é ponto pacífico inferir que o equilíbrio patriota é a melhor forma de conceber uma nação sob princípios democráticos. Para que esse possa se tornar possível, faz-se mister que o Ministério da Educação e Cultura crie material pedagógico que, por meio de aulas de História e Educação Artística, possa conciliar o conhecimento das crianças, desde sua socialização primária, aos símbolos nacionais e à importância do sentimento de pertencimento a uma nação. Ainda, dentro dessas aulas, deveria ser alertado como, mesmo com o patriotismo, a alteridade e a vida humana devem ser princípios inalienáveis. Dessa forma, o filho de uma nação construída sob base educacional pode ser patriota, assim como a primeira parte da obra de Barreto, e preservar o bem-estar do ser humano sem fugir a luta de seu país.