O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 19/10/2019

O escritor político francês Dominique Moisi, ao fazer uma análise do mundo contemporâneo, concluiu: quanto mais independente é o mundo, mais se busca uma identidade. Nesse sentido, observa-se um forte movimento a favor do patriotismo - sentimento de orgulho, amor, devolução e devoção à pátria, aos seus símbolos e ao seu povo - no Brasil, país que sofre forte influência externa. Dessa forma, é necessário a compreensão da relevância desse sentimento, tanto por unir a sociedade como por fundamentar sua transformação.

Em primeiro lugar, cabe destacar que esse nacionalismo cria uma base para coesão social. Para elucidar essa ideia, é possível remeter ao que fala o sociólogo Michel Maffesoli, em sua obra “O tempo das tribos”: uma sociedade fragmentada fica enfraquecida, por isso o estar junto é fundamental. De modo análogo, é coerente notar que a paixão pela nação foi uma estratégia usada pela mídia para incentivar o apoio às seleções esportivas brasileiras, por exemplo: na Copa do Mundo de futebol masculino de 2018 foi realizada uma campanha para o “ressurgimento” da seleção brasileira, a qual só seria possível com o apoio popular. Logo, é irrefutável que esse entusiasmo colabora para a formação de grupos e relações sociais mais estáveis.

Em segundo lugar, é válido pontuar como a exaltação à pátria provoca o desejo de ascensão do país. Para compreender esse aspecto, é pertinente fazer uma alusão com a Revolução Francesa que, inspirada em ideais iluministas, criou esse patriotismo como um sentimento que supera todos os outros, uma associação ao país que eles pertenciam. Ou seja, a cobiça de alavancamento fez com que a população se posicionasse contra o Estado exigindo mudanças, guardadas as devidas proporções, verifica-se que as manifestações contra o governo em 2016 visavam uma alteração das políticas que foram realizadas e, segundo dados da Polícia Militar, contou com mais de 6,9 milhões de pessoas em todo o país. Portanto, a aspiração do avanço nacional é incentivado por posições nacionalistas.

Por último, é urgente pensar uma forma para evitar que esses sentimentos sejam extremistas. Para isso, as escolas - por terem papel essencial no desenvolvimento do senso analítico de crianças e adolescentes - devem criar projetos que incentivem o patriotismo com um olhar crítico para situações como xenofobia. Essas ações podem ser: aulas para conhecer os símbolos nacionais - bandeiras, hino, brasões -,  visitações a museus que contém elementos da formação do país, e ainda debates sobre consequências de nacionalismos exacerbados. Isso pode ser feito por meio da integração dessas propostas no calendário escolar regular. Com efeito, pensamentos radicais serão desconstruídos desde a infância e, assim, essa será uma prática sustentável.