O papel da mulher no futebol
Enviada em 08/12/2020
Em sua obra “Utopia”, Thomas More discorre sobre uma sociedade ideal e os meios para alcançá-la, dentre eles, a busca pela igualdade de oportunidades e acesso. Decerto, a obra do filósofo inglês vai de encontro à atual representatividade da mulher no futebol, minoritariamente representada, mas que, mesmo assim, nutre o papel fundamental de explicitar a evolução do ideário feminista e inspirar outras mulheres a seguir pelo mesmo caminho.
Em primeira análise, pontua-se sobre os direitos conquistados pelas representantes do feminismo ao longo dos tempos e seus efeitos na atualidade. Ao analisar pelo viés do historiador Jacques Le Goff, o qual postula sobre a importância da memória para a construção do presente, fica claro que todas as realizações trabalhistas, sociais e mesmo familiares performadas pelas representantes do sexo feminino ao longo dos anos, culminaram na participação crescente de mulheres no futebol. Sendo assim, evidencia-se o papel de resistência que o futebol feminino representa na sociedade contemporânea: a entrada da mulher em um esporte considerado por muitos como “masculino”, evidencia a evolução e mais uma conquista desse grupo que, por muito tempo, foi subjugado.
Além da explicitar a agregação de direitos, a participação das mulheres no futebol inspira outras não apenas a seguir por esse caminho, como também a desbravar novos horizontes. Sob a ótica da série “reeducar” ,do podcast “Fone de ouvido”, na qual apresentadores e convidados discutem sobre a importância da representatividade no bem-estar das minorias sociais, percebe-se que, em um Brasil que transmite religiosamente o futebol masculino todas as semanas, a participação da mulher no esporte nutre mais do que seu papel de entretenimento: expressa oportunidades, inspiração e representação. Dessa maneira, observa-se como o envolvimento da mulher com o futebol tem papel fundamental na identificação de novos caminhos, mostrando a outras membras do grupo que até mesmo um ambiente historicamente machista pode revelar talentos femininos.
Em suma, observa-se que a presença da mulher no futebol acarreta na materialização dos direitos femininos e, também, na representatividade do grupo. Assim, o Ministério das Comunicações, órgão responsável pela organização midiática no país, deve promover, por meio de incentivos fiscais às emissoras de televisão aberta, a inclusão, em rede nacional e de forma periódica, da transmissão de jogos da categoria feminina do futebol, tal qual acontece com a versão masculina, no intuito de democratizar o acesso e facilitar o reconhecimento das conquistas e representatividade pela população em geral. Só assim, a realidade de More transporá as páginas de seu livro e alcançará o Brasil.