O papel da mulher no futebol
Enviada em 16/11/2020
No filme “Ela é o Cara”, a protagonista precisa se disfarçar de menino para jogar no time masculino e provar a sua capacidade. Fora das telas, observa-se que muitas mulheres enfrentam empecilhos para perseguir o sonho de atuar em áreas majoritariamente masculinas, como o futebol. Embora o papel das mulheres no cenário futebolístico seja importante para a representatividade feminina, a participação delas nesse esporte ainda encontra muitos desafios, como a falta de incentivo e o preconceito. Desse modo, são prementes discussões acerca do papel feminino nessa prática esportiva.
Em primeiro plano, o conceito de sororidade - união entre mulheres baseada na empatia e na busca de objetivos em comum - tomou conta dos mais variados meios de comunicação. Não obstante a força e respeito que ganhou, no que se refere ao incentivo ao futebol feminino, esse movimento ainda é reduzido. Nesse viés, as jogadoras não recebem quase nenhum incentivo, nem mesmo de mulheres, fato cristalizado pelos estádios vazios em dias de jogo e baixa audiência das partidas na televisão. Ademais, os investimentos, quando existem, não são levados a sério, o que pode ser exemplificado pelo caso do presidente do Esporte Clube Vitoria, Paulo Carneiro, que desviou a verba disponibilizada pela CBF para a manutenção das equipes femininas durante a pandemia de Covid-19. AssiM, é indubitável que falta investimento moral por parte da população, e financeiro, o que cabe aos clubes.
Em segundo plano, parafraseando Albert Einstein, é mais difícil quebrar um preconceito do que um átomo. Diante disso, é notório o machismo estrutural como entrave para o progresso do futebol feminino, já que as praticantes são constantemente desrespeitadas e menosprezadas. Outrossim, a ideia do sexo feminino como frágil já está enraizada, o que leva muitas meninas desde cedo a fazerem ballet, pois os pais acham que futebol é esporte de homem, desencorajando muitos talentos a seguirem o sonho de ser jogadoras. Além disso, por praticarem um esporte considerado masculino, as atletas são masculinizadas e consideradas lésbicas pela maioria da população, o que além de ser desrespeitoso com elas que são rotuladas, é ofensivo com a comunidade LGBT, que mesmo com tanta luta ainda tem a causa banalizada. Logo, é inegável o preconceito como impasse para a capacitação de mulheres interessadas na modalidade, o que bloqueia o desenvolvimento do esporte.
Depreende-se, portanto, que embora seja importante para a representatividade das mulheres, o futebol feminino ainda é incipiente pela falta de investimento e preconceito. Então, é basilar que o Ministério da Educação, promova seminários por meio de palestras on-line e vídeos com atletas de futebol acerca da importância da democratização e aceitação dessa modalidade, para que seja possível estabelecer uma sociedade em que todos são incentivados a praticarem qualquer esporte.