O papel da mulher no futebol

Enviada em 01/11/2020

A luta pela emancipação feminina ao longo do século XX abriu portas para a inserção das mulheres em espaços que eram restritos ao universo masculino, como o futebol. No entanto, mesmo diante de tais conquistas o machismo inerente à estrutural patriarcal capitalista ainda opera como um agente discriminatório, o que é evidente na diferença salarial entre gêneros. De acordo com o IBGE, a remuneração da mulheres costuma se 25% menor do que o valor atribuído a um homem que ocupa uma mesma função, tal diferença é ainda maior quando uma profissão é atrelada aos esteriótipos do universo masculino, como as diversas modalidades esportivas.

Evidenciando tal situação há o exemplo da futebolista Marta, que foi 6 vezes eleita pela fifa como a melhor jogadora do mundo, superando diversos atletas consagrados pela mídia esportiva e se tornando a maior vencedora de prêmios individuais da categoria. Contudo, mesmo diante de tamanho reconhecimento perante as principais instituições esportivas, a atleta ainda sofre pela falta de prestígio da mídia, e consequentemente do público. O resultado é visto na sua remuneração anual de aproximadamente 400 mil dólares,  que equivale a 0,02% ao salário do jogador Neymar.

Muitos atribuem a causa dessa desigualdade ao fato da escassez de patrocinadores enfrentada pelos times femininos, entretanto essa teoria é facilmente falseada. Os principais clubes de futebol possuem equipes masculinos e femininos, e consequentemente uma vasta equipe de marketing e publicidade que é responsável pela imagem de seus jogadores, o que resulta nas inúmeras parcerias veiculadas nos principais meios de mídia. Logo, por possuírem uma mesma gestão de marketing as ofertas de patrocínio deveriam ser iguais para todos os atletas de um clube, revelando uma contradição marcante da segregação de gênero existente.

Dessa forma, é indispensável que o legislativo desenvolva emendas legais que enfatizem a importância do combate ao machismo em ambiente profissional, punindo com multas e reclusões carcerárias o empregador que tratar de forma desigual seus funcionários devido ao gênero dos mesmos. Com este aparato legal, cabe à secretaria de cultura nacional o desenvolvimento de projetos que contemplem a inclusão das mulheres nos principais veículos de mídia, objetivando desmistificar esteriótipos que insistem em restringir determinados ofícios ao sexo biológico. Um exemplo prático é a obrigação de ações afirmativas que assegurem o patrocínio de grandes marcas para as atletas femininas, mostrando que não há limites para o exercício de uma profissão.