O papel da mulher no futebol

Enviada em 28/10/2020

Durante o período do Estado Novo, o futebol feminino foi proibido no Brasil, pois a mulher servia apenas para a maternidade, para gerar filhos da nação, e para piorar, o Conselho Nacional de Desportos dizia que “futebol era pra homem”, que as mulheres se masculinizavam jogando futebol, alimentando assim, o preconceito. Hoje, muita coisa mudou, mas a diferença de investimento e interesse em comparação com o masculino ainda é intrigante.

Vale destacar, de início, que em 1941, o governo de Vargas instituiu a proibição à prática de futebol feminino e só após 1983 a regulamentação da modalidade foi acontecer graças à luta de jogadoras e a relevância econômica internacional. Entretanto, mesmo com o fim da proibição, o futebol feminino tem reflexos negativos no esporte até hoje, como o pouco incentivo, falta de patrocinadores, salários menores e piores condições de trabalho, são apenas alguns dos problemas que a categoria ainda enfrenta. Além disso, destaca-se a cultura intolerante e preconceituosa presente na sociedade brasileira, visto que, ainda existe um conceito de que o futebol é algo exclusivamente masculino, pois o estímulo dado às possíveis atletas ainda é pequeno, quando comparado ao apoio e torcida dados aos meninos.

Nesse sentido, a grande desigualdade ainda é bem vigente, partindo, principalmente, nas questões salariais, uma vez que, a credibilidade é maior para o gênero masculino do que para o feminino. De acordo com o IBGE, a mulher ganha em média 79,5% do salário do homem, deixando evidente o mais beneficiado, além do mais, o que acaba contribuindo para esse cenário é a questão dos torcedores, pois o sistema capitalista vivida no país remunera melhor aquele que da mais rentabilidade. Nesse caso, o que tiver mais audiência e telespectadores e a torcida feminina deixam a desejar, já que é necessário um apoio maior do público para que mude essa realidade e haja investimentos nas confederações femininas.

Torna-se evidente, portanto, que para a inclusão da mulher no esporte ser efetiva, é necessário o rompimento de barreiras sociais. É dever do Ministério dos Esportes aumentar os investimentos na área feminina e criar campanhas publicitárias para acabar com o tabu. Ademais, cabe às emissoras de televisão veicular mais informações sobre a importância da participação da mulher no esporte e valorizar as conquistas alcançadas por elas. Por fim, cabe às escolas discutir o assunto com os alunos por meio de palestras e oficinas e estimular, valorizar e apoiar a prática de esporte pelas meninas. Somente assim será possível respeitar a Constituição Brasileira e esquecer o passado de injustiças.