O papel da mulher no futebol
Enviada em 21/10/2020
De acordo com São Tomás de Aquino, todas as pessoas de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos. Porém, no contexto brasileiro atual, a visão do filósofo é contrariada, uma vez que grande parte das mulheres ainda encontram dificuldades no futebol, que é muito desigual no país. Nesse cenário, o pensamento patriarcal e a passividade da sociedade emergem como empecilhos para a manutenção de uma sociedade dialógica e igualitária.
Em primeiro plano, cabe abordar o Patriarcalismo enraizado como um dos desafios à resolução do problema. Desde o Período Colonial, em que o homem detinha o poder primário e autonomia moral sobre a família, a mulher foi excluída da participação efetiva dos esportes, do trabalho fora do âmbito doméstico e da possibilidade de desenvolvimento científico e intelectual. Sob esse viés, na atualidade brasileira, devido a essa idéia, além de sofrerem preconceito e discriminação, parte das mulheres ganham salários péssimos, mesmo realizando as mesmas funções de um jogador em campo. Dessa forma, com a realização do diálogo, a fim de mudar essa concepção, o papel da mulher seria enxergado como necessário, não só no futebol, mas nas demais esferas sociais e políticas.
Outrossim, é importante destacar a passividade social como outro fator que fomenta o impasse. Segundo o ex ministro do Brasil, Tancredo Neves, a cidadania não é passiva, mas ação permanente, em favor da comunidade. No entanto, a maior parcela da sociedade, principalmente do sexo masculino, não cumprem seus papéis de cidadãos e se posicionam de forma passiva a respeito da indiferença de gênero nos esportes, mesmo sabendo que esse problema afeta o bem estar da coletividade. Assim, se esse público tomasse iniciativa como criações de mobilizações e participassem de fato dos protestos nas ruas, realizados pelos grupos feministas, possivelmente, além de ajudarem as mulheres a serem ouvidas por enfrentarem desafios no futebol, colaboraria também para a construção de um país mais justo e igualitário. Logo, faz-se mister a criação de medidas capazes de alterar esse quadro alarmante.
Portanto, fica evidente que a desigualdade no futebol persiste e precisa ser combatida. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, jogadores profissionais e veículos midiáticos, a criação de uma campanha “Sem Indiferença”, por meio de competições contendo times mistos de futebol e demais modalidades como, vôlei, tênis e basquete. Tal campanha será realizada nos espaços das escolas, sendo disponibilizada a entrada gratuita da comunidade e transmitida ao vivo pelas redes sociais, a fim de alcançar um número maior de pessoas e conscientizá-las a respeito da participação esportiva igualitária e do papel da mulher no esporte. Dessa forma, a lógica de Aquino será efetivada e as mulheres passariam a ser vistas de forma igual, tanto nos esportes quanto nas ruas.