O papel da mulher no futebol
Enviada em 29/06/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - defende a manutenção do respeito e da igualdade entre povos de uma mesma nação. Entretanto, no cenário atual brasileiro, percebe-se justamente o contrário, tendo em vista a discriminação e a desvalorização do papel da mulher em todos os âmbitos sociais, principalmente nos setores esportivos. Nesse contexto, observa-se um grave problema de contornos específicos, em virtude da desvalorização do futebol feminino nos veículos de comunicação e do machismo estrutural.
Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o papel da mídia é ser instrumento de democratização e disseminador de informações que afetem positivamente o pensamento coletivo. No entanto, tal papel não é exercido de forma eficiente, a julgar pela desvalorização do papel feminino no futebol pelos veículos de comunicação. Tal desconsideração provinda da mídia colabora para a construção de um pensamento coletivo negativo sobre o papel da mulher no futebol, tendo como resultado a depreciação desse setor esportivo para a esfera feminina.
Além disso, o machismo estrutural é um fator determinante. Nesse sentido, na Grécia antiga, a mulher era vista como uma criatura sub-humana, inferior ao homem, destinada apenas aos trabalhos domésticos. Apesar de avanços sociais, as mulheres ainda ocupam lugares de menor privilegio na sociedade moderna. Segundo dados colhidos pelo IBGE, em 2010, as mulheres ganham apenas 72,3% do salário de um homem que ocupa o mesmo cargo, essa atmosfera desigual perpetua o machismo.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Economia deve propor a criação de canais nos veículos de comunicação voltados para o futebol feminino e a obrigatoriedade de igualdade salarial em todos os setores empregatícios, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tais canais irão disseminar a igualdade feminina no futebol para toda população. Espera-se com essas medidas a construção de uma sociedade mais igualitária.