O papel da mulher no futebol
Enviada em 08/07/2020
Um pouco mais de 60 anos que separam entre a realização da 1ª Copa do Mundo masculina da feminina. É evidenciado nesse longo período, um problema enraizado na sociedade ocidental, o machismo. Por isso, é necessário entender o papel da mulher no futebol, que nos dias de hoje é romper preconceitos, dificultado pela falta de incentivo por parte do governo e a ausência de visibilidade, esta em razão da perpetuação de uma sociedade machista.
Primeiramente, evidencia-se que a falta de incentivo do governo dificulta a promoção igualitária do futebol feminino. Certamente, a realização desse gênero esportivo envolve também questões políticas, uma vez que por 40 anos a prática deste esporte foi proibida pelo decreto-lei 3.199/41, em razão da incompatibilidade com as condições naturais femininas. Entretanto, apenas a liberação do esporte não é o suficiente, já que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) não fomenta de forma igualitária a modalidade das mulheres. Prova disso são as disparidades entre o futebol feminino e masculino, que segundo dados do site Sport Motion, em 2017 o campeão do Campeonato Brasileiro masculino recebeu como premiação 141 vezes mais que o time campeão feminino do mesmo campeonato. Dessa maneira, evidencia-se a inequidade de incentivo por parte do governo com o futebol feminino.
Além disso, é necessário entender que o papel da mulher no futebol é prejudicado pela perpetuação de uma sociedade machista. Sem dúvida, a pressão que a sociedade impõe nas mulheres abrange não somente os costumes, como também a realização de atividades que segundo uma ótica machista não é natural da mulher. Em outras palavras, a falta de visibilidade por parte da sociedade prejudica a realização do esporte feminino, uma vez que sustenta-se ainda hoje o pensamento do lugar da mulher na sociedade. Este pensamento pode ser evidenciado pela máxima de Simone Beauvoir “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, afirmando que cada sociedade criou padrões de ação e comportamento para cada gênero, especialmente o gênero feminino. Em suma, muitas pessoas não se interessam pela prática de futebol feminina por não ser natural da mulher jogar futebol.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de combater as desigualdades que o futebol do gênero feminino vem sofrendo ao longo dos anos interferindo no papel da mulher no futebol ao romper preconceitos. Por isso é preciso que a Confederação Brasileira de Futebol, entidade responsável e ligada ao Governo, possibilite a realização do futebol feminino com equidade e igualdade, por meio de repasses financeiros substanciais para times regionais e nacionais além de incentivar emissoras de televisão a transmitir jogos feminino com a finalidade de valorizar o esporte feminino. Dessa maneira, o atraso de muitos anos entre o esporte masculino e feminino poderá ser resolvido.