O papel da mulher no futebol

Enviada em 15/08/2020

O documentário “Miss representation” expõe e analisa, a partir de uma visão crítica, como a mídia limita a figura feminina ao associá-la, majoritariamente, à aparência. Nesse sentido, nota-se que o constante bombardeamento de discursos restritos ao âmbito estético reforça uma conjuntura machista histórica, uma vez que não incentiva as mulheres a buscar pelo desenvolvimento profissional, ao passo que fortalece o sistema patriarcal. Diante disso, é perceptível que a inexpressiva representatividade feminina nos veículos midiáticos e a valorização desigual existente entre os gêneros constituem fatores que colaboram para a persistência da problemática.

É importante ressaltar, em primeiro plano, os impactos da escassa representação de mulheres em posição de destaque. Segundo a poetiza Rupi Kaur: “A representatividade é vital”. Sob essa ótica, constata-se que a identificação pessoal é de extrema relevância para fortalecer o anseio individual, contudo, a atuação androcêntrica da mídia considera a perspectiva masculina universal. Dessa forma, esse cenário excludente faz com que o público feminino, principalmente o infantil, seja propenso a não almejar grandiosas conquistas profissionais por acreditar que elas não serão realizadas.

Ademais, vale destacar a falta de reconhecimento dessa parcela invisibilizada socialmente. Em sua música “The man”, a cantora Taylor Swift aponta que as dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho são maximizadas se o indivíduo pertencer ao gênero feminino. Nesse viés, percebe-se que, entre os jogadores de futebol, a desigualdade de gênero é nítida ao observar que a atleta Marta, jogadora brasileira que possui mais prêmios individuais da Fifa, ganha por ano, aproximadamente, a trigésima sexta parte do salário do Neymar. Desse modo, a supervalorização dos homens estabelece, no corpo social, um pensamento deturpado de inferioridade das mulheres, o que gera a violência simbólica - termo criado pelo sociólogo Pierre Bourdieu que caracteriza uma violência que é tão perpetuada a ponto de ser naturalizada na sociedade.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de aumentar a representatividade feminina, os programas de televisão - em especial aqueles que são transmitidos em horário nobre - devem, por meio de entrevistas e reportagens, exibir a trajetória e as conquistas de mulheres que destacam-se em seu ofício. Além disso, com a finalidade de construir uma sociedade mais justa e consciente, cabe às instituições sociais - principalmente a escola e a família - difundirem ideais de equidade às crianças e aos jovens, por intermédio de debates que colocam em pauta as minorias. Assim, as situações expostas em documentários como o “Miss representation” não serão uma realidade no  Brasil.