O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial

Enviada em 10/03/2024

Para o filósofo Aristóteles, sem a razão e a sabedoria, nada separa a espécie humana e do restante dos animais. Nesse contexto, ao presenciar as transformações no mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial, vê-se que o princípio aristotélico não é alcançado, na medida em que a automatização de empregos e a necessidade de adaptação dos profissionais e novas demandas ainda são fatores que potencializam essas característica social e, infelizmente, dificultam a construção de um ambiente ideal.

Inicialmente, a automatização de empregos revela um problema estrutural, conforme previsto pelo Goldman Sachs, que aponta a possibilidade de até 300 milhões de empregos serem afetados pela inteligência artificial. Nesse contexto, a “menoridade artificial” destacada por Kant se manifesta, refletindo a falta de autonomia dos indivíduos diante de mudanças tão significativas no mercado de trabalho. A aceitação passiva dessas alterações, sem uma postura crítica, banaliza a complexidade dessa realidade, dificultando a construção de um ambiente ideal respeitador dos direitos humanos frente à influência crescente da inteligência artificial (AI).

Ademais, nota-se a necessidade de adaptação dos profissionais a novas demandas como um fator que dificulta a resolução do entrave. Conforme Zygmunt Bauman, em sua teoria “Instituições Zumbis”, as instituições sociais, como o Estado, dissolveram suas funções de controle e regimento da ordem, sendo “zumbis” pelo fato de manterem-se vivos, mas sem eficácia de intervenção. É por essa razão que a característica social, desafiadora apontada por Aristóteles, persiste no contexto atual do mercado de trabalho diante do advento da inteligência artificial (AI) , evidenciando a necessidade urgente de intervenções que respeitem os direitos humanos.

Portanto, é crucial reverter o quadro atual. Para promover uma transição justa diante da automação, governos e empresas devem investir em requalificação profissional, priorizando habilidades técnicas e humanas. Assim, a população poderá superar os desafios da inteligência artificial (AI) e concretizar os ideias aristotélicos de pleno desenvolvimento humano.