O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 14/04/2021

De acordo com o filósofo John Locke, em sua teoria da Tábula Rasa, o ser humano é um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. Analogamente, muitos jovens têm sido “preenchidos” por experiências negativas advindas do mau comportamento e da agressividade crescente de alunos no ambiente escolar. Nesse viés, essa questão tem se potencializado, muitas vezes influenciada pelo contexto social e pelos problemas familiares desses jovens. Desse modo,  fazem-se necessárias discussões sobre as causas e as consequências dessa problemática, em nome do futuro da juventude do país.

A princípio, é fato que a forma de agir de muitos jovens no âmbito escolar é reflexo da realidade na qual estão inseridos. Nesse sentido, a historiadora Hannah Arendt concebeu o conceito de “banalidade do mal”, para definir o sutil ato de conviver com o mal e praticá-lo sem perceber, banalizando-o. Sob essa ótica, a violência nas escolas tem como precursor o ambiente das periferias, onde há uma naturalização da agressão, pois brigas de facções e embates com os policiais geram um contexto em que os civis são os telespectadores das mortes, visto que regiões menos favorecidas economicamente são, por vezes, dominadas pelo tráfico. Assim, aumenta-se a violência urbana, uma vez que, a partir do momento em que se é inserido nesse meio, os jovens ainda, ainda em formação,  tendem a reproduzir as atitudes do seu cotidiano, de acordo com dados do Ibope Inteligência.

Outrossim, os problemas familiares são  catalisadores para as agressões nas escolas. Sob esse prisma, segundo a terceira lei de Newton, toda ação gera uma reação. Fora da física, abusos psicológicos e agressões físicas podem gerar inúmeros impactos sobre a nova geração. Isso porque as crianças crescem em ambientes hostis, onde vivenciam cenas de violência doméstica, abuso de álcool e drogas e uso de armas de fogo, o que pode ser visto no filme “Cidade de Deus”, o qual retrata crianças vítimas de lares desajustados. Posto isso, esses pequenos podem repetir o comportamento visto em suas casas, o que reflete no bullying nas escolas, eco de problemas psicológicos, como transtornos de comportamento, motivados pelo não controle da raiva, de acordo do o médico Drauzio Varella.

Infere-se, portanto, que o contexto social e os problemas familiares dos jovens influenciam o seu mau comportamento nas instituições de ensino. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas, mediante propagandas nos aparelhos midiáticos, sobre os perigos da violência nas escolas e a importância das famílias para o desenvolvimento do caráter dos meninos e meninas, ainda em desenvolvimento, com o fito de mitigar os efeitos sociais do mal comportamento dos alunos nas escolas. Dessa forma, os jovens poderão ser “preenchidos” por experiências positivas nas escolas.