O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 24/07/2020
Segundo o filósofo francês Pierre de Chardin, a humanidade está em constante evolução, direcionando-se a um futuro ideal, nomeado de “Ponto Ômega”. Entretanto, tal pensamento não parece se concretizar no cenário brasileiro, haja vista que a crescente agressividade de alunos nas escolas ainda é uma realidade no país. Diante dessa perspectiva, é necessário analisar como questões socioculturais e familiares atuam fomentando essa problemática.
Em primeiro plano, deve-se perceber que a cultura de hostilidade é a principal responsável pela violência nos ambientes escolares. Conforme o conceito de Banalidade do Mal, desenvolvido pela filósofa Hannah Arendt, atitudes cruéis são parte do cotidiano atual e tornam as relações sociais cada vez mais caóticas. Nesse sentido, uma considerável parcela dos estudantes brasileiros manifesta na prática o pensamento de Arendt, o que se mostra grave problema e motiva atitudes violentas como: bullying e agressões a professores. De fato, essa realidade está de acordo com a pesquisa divulgada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que indicou o Brasil como líder mundial em violência contra docentes. Dessa forma, enquanto, nas escolas, a banalização do mal existir, a cultura da paz será exceção.
Além disso, a abstenção familiar corrobora a perpetuação desse problema. Segundo a Teoria de Anomia Social, desenvolvida pelo sociólogo Durkheim, uma anomalia se instala na sociedade quando pelo menos uma das instituições falha em sua função. Apesar da escola se configurar como lugar de ensino e aprendizado, a educação também deve ser realizada nos ambientes familiares, no entanto, essa instituição muitas vezes não realiza com eficiência sua função. Ao não promover o diálogo e o encaminhamento moral sobre atitudes certas e erradas a serem tomadas nas escolas, jovens continuam a agredir verbal e fisicamente outros colegas e professores sem que o devido debate e punição seja tomado por pais e responsáveis. Diante desse quadro, a violência escolar continua a crescer, enquanto a anomia social fixa raízes no país.
Conclui-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver esse problema. Para isso, o Governo, juntamente com as mídias sociais, deve realizar uma ampla divulgação da realidade violenta das escolas, por meio da criação de palestras e propagandas sobre o tema, em horários nobres televisivos e nas redes sociais. Isso deve ocorrer com a confecção de um material rico em dados e estatísticas dos números de casos de agressões nas instituições escolares brasileiras e a necessidade do diálogo para que haja mudanças nesse quadro. A fim de que, ocorra a conscientização, não só dos pais, como também dos próprios alunos sobre os números alarmantes de violência e a necessidade de mudanças.