O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 07/07/2020

Para o sociólogo francês Émile Durkheim, a escola, por incorporar valores, é uma instituição cujo objetivo principal é de preparar indivíduos para a vida em sociedade. Infelizmente, é indubitável que tal proposta permite a subversão do ensino pela intolerância, tendo em vista a agressividade crescente em tais ambientes. Esse cenário nefasto ocorre devido à recorrente trivialidade da violência, que, por conseguinte, contribui para um ciclo de abusos. Perante isso, são necessárias medidas psicopedagógicas em prol de uma cultura baseada no respeito e na ética desde a educação básica.

Nesse sentido, é importante destacar que a persistência de conceitos ultrapassados é preponderante para os conflitos nos meios de ensino. Nessa perspectiva, a pensadora judia Hannah Arendit, que sofreu em um campo de concentração, discute, pelo conceito de “Banalidade do Mal”, acerca de ideais deletérios trivializados desde a infância por discursos midiáticos que repercutem o ódio. Semelhantemente, a violência nas escolas, na contemporaneidade, tramita pela naturalização do preconceito contra grupos minoritários. Consequentemente, é inquestionável que o “bullying” surge sob um contexto que reflete uma comunidade intransigente e retrógrada, uma vez que o progresso social é vilipendiado por conflitos que reverberam, indevidamente, em locais de instrução.

Ademais, é importante destacar que a brutalidade é um fator cíclico, ou seja, o ódio é agravado por si só. Tal fato é evidente ao se analisar os massacres ocorridos em Realengo, no Rio de Janeiro, e em Suzano, em São Paulo, os quais foram motivados pelo “bullying” que os assassinos sofreram quando estudantes. Nesse viés, é incontrovertível que a negligência à abordagem da intimidação sistemática e dos seus consequentes transtornos psicológicos, evidentes nos atos criminosos, permite a crescente agressividade patológica entre jovens, principalmente, nas escolas, na forma de chacinas em busca de vingança.

Destarte, ante a banalidade não só do mal presente no preconceito, mas também da violência sistemática, urgem ações para a desconstrução de um sistema educacional retrógrado que repercute a intolerância. Para isso, urge que o Ministério da Educação, associado à Secretaria Especial da Cultura, órgãos fundamentais para a manutenção social, difundam uma erudição crítica e libertadora. Tal medida deve ocorrer por intermédio de debates entre psicólogos, pais, corpo docente e discente, representados, também, nos meios radiotransmissores, que devem discutir, entre todas as idades, o respeito, com o fito de construir uma consciência coletiva de tolerância capaz de mitigar a agressão dentro e fora das salas de aulas. Assim, será estruturada uma instituição social que, assim como defende Durkheim, prepara, pela transformação, os cidadãos para a vida em comunidade.