O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 13/05/2020

Ao fim do filme “Uma vida com propósito”, a estudante Rachel é assassinada em um massacre escolar. Baseado em fatos reais, a ficção traz uma das consequências de um tema pertinente na atualidade: o mau comportamento e a agressividade crescente nas escolas. Com base nesse contexto, faz-se necessário discutir de onde surge essa violência, bem como em que reverbera.

É válido, primeiramente, destacar que, por muito tempo, a educação nas escolas seguiu um modelo punitivo. Porém, atualmente, esse modelo foi substituído por um protótipo que pode ser análogo ao pensamento do filósofo Foucault, apresentado em sua obra “Vigiar e punir”, na qual a vigilância é mais eficiente em disciplinar e prevenir a violência que a punição. Sob esse viés, a vigilância dos estudantes foi atribuída à escola e, em virtude disso, muitas famílias passaram a ser ausentes na educação de suas crianças e adolescentes, e a escola, segundo Mário Sérgio Cortella, passa a ser vista como ambiente de salvação. Esse ambiente, que deveria atuar em parceria com as famílias dos jovens, não consegue atuar sozinho na vigilância e consequente educação desses. Desse modo, torna-se mais inacessível a identificação e combate à violência no ambiente de convivência dos alunos.

Percebe-se, consequentemente, que a junção da ausência dos responsáveis pelos estudantes e a atribuição de suas responsabilidades às escolas leva as taxas de violência escolar a crescerem a cada dia. A agressividade de estudantes pode se manifestar de diversas formas e em diversos âmbitos. Um deles é entre os próprios alunos, onde, muitas vezes, revela-se uma violência já conhecida: o bullying. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2018, o bullying se fazia presente no cotidiano de 43% dos estudantes brasileiros. Outra forma de manifestação, tão grave quanto a primeira, é a agressão a educadores. Segundo dados de uma pesquisa do G1, realizada em 2017, o Brasil está em primeiro lugar no ranking de violência contra professores.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação, por ter o papel de lidar com o ambiente escolar, deve criar um evento nacional chamado “Escola em harmonia” que, por meio de palestras com pedagogos e psicólogos, apresente as manifestações da violência escolar para pais, educadores e alunos, com a finalidade de mostrá-los como lidar com esse mal. Esse também deve estimular que alunos com condutas inadequadas receba correções que o incluam na comunidade escolar, como, por exemplo, auxiliar um professor. Somente assim o cenário do massacre no qual Rachel faleceu será reduzido à ficção, e, desse modo, jovens poderão integrar uma sociedade justa e igualitária.