O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 13/05/2020

No romance “Extraordinário”, da escritora R. J. Palacio, é contada a história de um menino chamado August, que sofre com uma condição na qual ele tem a face deformada, e sofre bullying de seus colegas, dentro da realidade escolar, de forma quase ininterrupta, enquanto o estabelecimento se mostra incapaz de lidar com a situação. Apesar da história ser fictícia, a realidade de um ambiente escolar cada vez mais agressivo e no qual o mau comportamento ganha cada vez mais espaço é bastante concreta, indo de encontro ao pensamento do pedagogo Paulo Freire, que argumenta que é uma necessidade da educação se adaptar e lidar com as diferentes realidades com as quais ela é confrontada. Essa situação se deve a condição de escolas como prisões e ao “habitus”.

Em primeira análise, é necessário entender a realidade das escolas quase como prisões na atualidade. De acordo com o pensador francês Michel Foucault, a educação tenta, por vezes, promover um processo de “docilização dos corpos”, que dentro da esfera de escolas como prisões, tenta tornar alunos simplesmente como seres unidimensionais. Porém, o que às vezes ocorre,é um processo de “anomia”, como caracteriza o sociólogo Émile Durkheim, no qual o sujeito não se adequa as “normas” do funcionamento daquele sistema, e assim, a reação diante do mesmo vem como uma agressividade.       Além disso, existem influências externas que acabam por moldar a realidade do estudante, em um processo de “interiorização do exterior” e “exteriorização do interior”, como relata o pensador Pierre Bourdieu. Esse conceito, o qual o pensador denominará “habitus”, proporciona o entendimento de que um jovem que vive e consome violência e agressão no seu cotidiano acaba por “exteriorizar” tais no ambiente acadêmico. Assim o sendo, a realidade social dos alunos tem um papel basilar na análise da condição escolar.

Portanto, para combater o mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar, o estado deve repensar a condição das escolas, como propõe o pensador Paulo Freire, de tal maneira que seja um ambiente de libertação, e não prisão. Isto deve ser promovido através de uma reconfiguração do método de ensino dos professores, exercendo uma campanha em nível nacional pelo o Ministério da Educação de uma formação freiriana para os professores se adaptarem e saberem lidar com a realidade de cada estudante. Para além disso, é necessário uma política pública mais contundente de combate à desigualdade social, principal causadora de violência nos meios familiares no Brasil atualmente, promovendo, através do Ministério da Fazendo, uma política fiscal taxação progressiva em grandes fortunas e sobre dividendos e reinvestindo o arrecadado em programas sociais de redistribuição de renda. Assim, podemos pensar em um futuro melhor para tantos Augusts no Brasil.