O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 13/05/2020

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), o ambiente escolar deve possibilitar o pleno desenvolvimento dos alunos. Para além do que direciona a lei, a realidade atual retrata um cenário diferente da utopia legal à medida em episódios de agressividade de alunos tornaram-se frequentes no Brasil. Nesse sentido, transformar a escola em um espaço saudável significa, também, combater o mau comportamento dos jovens, impulsionado por fatores como a violência social e a fragilidade da educação doméstica.

A princípio, observa-se que a hostilidade de discentes com colegas de classe e professores é reflexo da cultura de incentivo à violência vigente na sociedade hodierna. No caso dos jovens, tal incentivo ganha reforço com a popularização de figuras como a do super-herói “Batman”, que após perder os pais passa a se valer da violência como forma de “justiça social”. Dessa forma, imersos na lógica de tudo se resolve com a hostilidade e inseridos em instituições escolares que, por vezes, não estimulam o diálogo, os educandos não aproveitam os conflitos que surgem como forma de amadurecimento, mas sim para demonstrar atitudes vis, física ou psicologicamente.

Outrossim, a fragilidade da educação doméstica agrava a problemática ao passo em que os pais têm dificuldade de estabelecer limites aos filhos. Quanto a isso, o psicanalista Sigmund Freud aponta que a família exerce importante influência na formação psíquica de seus membros. Desse modo, ao consentir tudo o que a prole solicita, os genitores possibilitam a criação de uma massa de crianças e adolescentes sem maturidade emocional para receber o “não” vindo de docentes e companheiros de classe. Tal fato é potencialmente perigoso, pois figura como uma das motivações para a prática de violência física contra professores, conforme apontado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Depreende-se, portanto, que a violência crescente praticada por alunos nas escolas é uma problemática latente. Para minimizá-la, os centros educacionais devem realizar ações que promovam o diálogo como forma de resolução de conflitos. Isso poderia ocorrer por meio de rodas de conversas das quais participariam alunos, professores e uma psicóloga, que debateriam acerca da cultura da violência e da importância da interlocução para a boa convivência. Além disso, as secretarias estaduais de educação devem oferecer suporte psicológico aos discentes de instituições já envolvidas em casos de agressões, por meio da presença de psicopedagogos nos locais. Por fim, cabe à família fornecer formação socioemocional, preparando-os, por meio do diálogo, para entender que nem sempre poderão ter tudo o que solicitam. Espera-se, assim, que o abismo entre o que diz a lei e a prática seja superado.