O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 09/05/2020

De acordo com um provérbio africano, para educar uma criança é preciso toda uma aldeia. Ou seja, o processo formacional do conhecimento de um indivíduo se desenvolve com a participação de todo corpo social. No entanto, o contexto estrutural da sociedade moderna não se estabelece plenamente. Consequentemente, a construção educacional da criança ou do adolescente é adulterada pela família e pelas instituições de ensino que, em muitos casos, não os estimulam à sociabilidade e tornam-se propícios ao mau comportamento e à agressividade em sala de aula.

Primeiramente, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, a concretização do aprendizado ocorre pela internalização dos fatores sociais e, em seguida, a exteriorização destes por meio das atitudes do indivíduo. Dessa forma, a instituição social primária (família) é responsável pelas absorções educacionais  iniciais, isto é, a “bagagem” da sociabilidade apresenta uma enorme influência das interações do lar. Com efeito, alguns ambientes domésticos (concebidos culturalmente por pensamentos pré-estabelecidos), por apresentarem instabilidade no que diz respeito à educação da criança ou do adolescente, formam pessoas propícias a ideias machistas, racistas ou homofóbicas. Em decorrência disto, ocorre a potencialização do mau comportamento e a prática do “Bulling”, principalmente em ambientes escolares, por exemplo

Ademais, conforme o pensamento do sociólogo brasileiro Paulo Freire, a educação conscientizadora consiste na formação do indivíduo, pelas instituições de ensino, para a boa interação social e busca do bem-comum. No entanto, em muitos casos, o processo de desenvolvimento do conhecimento pelas escolas torna-se supérfluo e robotizado e , em consequência disso, o princípio da alteridade - constituído pela promoção da diversidade e respeito às diferenças - não é repassado de forma plena ao corpo discente. Nesse contexto, estimula-se o processo de individualização do “Eu”, da fragmentação da sociabilidade e do crescimento da agressividade, especialmente, no meio educacional escolar.

Portanto, torna-se necessário mitigar o mau comportamento e práticas agressivas em ambientes escolares. Assim sendo, o Ministério da Educação deve desestimular pensamentos que vão de encontro aos direitos humanos, por meio da divulgação e promoção do princípio da alteridade (pela exposição em palestras educativas para pais, alunos e professores) visando a conscientização para o bem-comum. Além disso, cabe às instituições de ensino  estimular  práticas educativas que favoreçam a sociabilidade e a boa interação social entre alunos. Isto será efetivado por meio da prática de atividades recreativas relacionadas aos assuntos apresentados em sala de aula, que incentivem, de modo explícito, a boa relação entre pessoas e, desse modo, educar conscientemente, segundo Freire.