O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 10/05/2020
Conforme o filósofo Mário Sergio Cortella, o brasileiro é um “homem cordial”, aquele que age pelo coração, ou seja, uma pessoa muito afável por um lado, mas que, por outro, mostra-se muito impulsivo e, por vezes, violento. É sob esses viés, que vem se consolidando o crescente mau comportamento e a agressividade no ambiente escolar. Esse fato decorre, principalmente, da carência de uma educação conscientizadora e da elevada descrença no estado, que leva à anomia socioeducacional.
Em primeira análise, segundo o educador Paulo Freire, a educação brasileira é “bancária”, ou seja, é aquela que apenas deposita informação, não despertando no aluno a conscientização e reflexão sobre o conteúdo adquirido. Portanto, essa falta de motivação no processo de aprendizagem, leva a defasagem do atual modelo educacional, pois, o indivíduo não se sente incentivado ou representado pelo sistema que deveria atuar na sua formação moral. Essa falta de representatividade nos colégios, advém da utopia educacional mostrada, que não é compatível com a realidade do estudante e que pode, muitas vezes, levar-lo a agir de forma indisciplinar. Nesse sentido, torna-se cada vez mais recorrente a ação de posturas inadequadas ao convívio social no ambiente escolar, como mostra os dados divulgados pela Organização para a Cooperação e desenvolvimento Econômico (OCDE), e em proporções cada vez maiores.
Ademais, consoante ao pensamento do filósofo Dahrendorf, quando o Estado não oferece os direitos básicos ao cidadão, como a segurança, a sociedade entra em “anomia social”, ou seja, não crê no poder governamental, recorrendo a atitudes individuais, conforme o que acha correto. Sob essa perspectiva, o não posicionamento de liderança e a carência de democracia educacional quando aliados a fatores externos, como a violência, faz com que os alunos absorvam essas atitudes e despejem no ambiente escolar através da agressividade, algo cada vez mais recorrente e que, segundo a OCDE, faz do Brasil o país com maior índice de violência contra professores. Desse modo, é imprescindível a criações de políticas que visem a diminuição desse impasse na educação.
À luz dessas constatações, acerca da indisciplina e agressividade de alunos no ambiente escolar, portante, cabe ao Ministério da Educação aprimorar o atual modelo educacional. Isso por meio da inclusão de atividades mais dinâmicas, como debates em sala sobre filosofia, palestras interativas que mostrem um maior leque de oportunidades ao estudante, para que ele possa se identificar. Ademais, o Estado deve cumprir seus deveres pré-estabelecidos na Constituição, sobretudo no quesito de segurança, além de criar debates e propagandas socioeducativas, com psicólogos, sobre os riscos da violência com as próprias mãos, visando diminuir o crescente índice de hostilidade nas escolas.