O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 09/05/2020
Durante uma Conferência em 1982, o antropólogo Darcy Ribeiro afirmou que, se em 20 anos as autoridades brasileiras não investissem na educação, faltaria dinheiro para tantas prisões. Essa realidade, no Brasil, manifesta-se por meio do notável aumento do mau comportamento e da agressividade dos alunos no ambiente escolar. Tal fato é consequência do sucateamento das escolas pelas autoridades, bem como de uma educação não libertadora.
É válido lembrar, a priori, que um dos fatores que contribuem para o aumento do mau comportamento e da agressividade dos discentes é o sucateamento das escolas brasileiras pelas autoridades. Isso ocorre pois essas instituições são parte essencial do processo formativo de um indivíduo, assim, possuem a função social de prepará-lo para ser um bom cidadão. No entanto, em grande parcela dos colégios, sobretudo os de áreas mais periféricas, isso não ocorre. A má infraestrutura, aliada com a criminalidade da região, fazem com que a instituição seja apenas uma extensão do que já é vivenciado pelo aluno fora da sala de aula. Essa realidade faz parte do “habitus” dos estudantes, que, segundo o filósofo francês Pierre Bordieu, é tudo aquilo que absorvemos do nosso exterior e, posteriormente, exteriorizamos na sociedade.
Ademais, um outro fator que contribui para a problemática em questão é a ausência de uma educação libertadora. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, essa libertação se dá quado o oprimido não se torna o opressor e isso ocorreria por meio de um sistema que promovesse a reflexão do indivíduo sobre a sociedade. Porém, o que ocorre em muitas escolas é apenas o “depósito” de conhecimento no estudante, o qual, grande parte das vezes convivendo em um ambiente hostil e violento fora da sala de aula, não possui a chance de refletir sobre como ele pode transformar sua própria realidade, o que possibilita a efetivação da violência no ambiente escolar.
É necessário, portanto, medidas que alterem esse contexto. Para isso, o Ministério da Educação possibilitará uma melhora da infraestrutura por meio do repasse de uma quantia mínima anual apenas para esse objetivo, sendo o estado ou município passíveis de punições, caso não mostrem os resultados, a fim de que a escola exerça melhor seu papel social. Além disso, o mesmo órgão promoverá uma educação mais libertadora por meio da realização de concursos nacionais que envolvam projetos sociais de escolas. Esses concursos terão como prêmios viagens a grandes instituições de ensino pelo mundo, a fim de que o estudante compreenda que ele pode ser um agente modificador de sua própria realidade e tenha uma visão mais ampla do mundo. Com isso, a afirmação de Darcy não mais será uma realidade.