O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 26/10/2019
De acordo com sociólogo francês Émile Durkheim, em seu livro intitulado “As regras do método sociológico”, a sociedade é análoga a um organismo vivo no qual as partes funcionam em prol do todo com fins à sua coesão social. No entanto, observa-se na contemporaneidade brasileira, a existência de falhas em partes desse corpo social, tendo em vista a intensa recorrência de episódios de violência no âmbito escolar, problema que impede a existência de um Estado harmônico, de fato. Em virtude desse contexto arbitrário o qual deriva tanto da inoperância estatal quanto da inobservância de centros educacionais e das famílias, é imprescindível analisar os fatores que geram essa problemática. Primeiramente, é indubitável que esse quadro tem como uma de suas causas a inaplicabilidade das leis, tendo em vista os crescentes casos de violência no país, à exemplo do número de assassinatos que em 2016, de acordo com o Atlas da Violência chegou a marca histórica de 60 mil em apenas um ano. Ademais, de acordo com o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf anomia social é um estado no qual as leis que regem uma sociedade perderam sua validade, em razão de reincidentes casos de impunidade. Nesse sentido, verifica-se que a sociedade encontra-se imersa em um processo anômico que se reflete no comportamento dos alunos nas escolas, haja vista os massacres ocorridos em Realengo e em Suzano. Dessa maneira, urge que tal postura negligente estatal seja reformulada com vistas a atenuar esse panorama que corrobora para a crescente conduta agressiva no meio escolar.
Outrossim, é válido salientar também, a inoperância tanto dos familiares quanto das escolas para tenta coibir atitudes violentas no meio escolar. Segundo Durkheim para que haja garantia da coesão social é imprescindível que o indivíduo internalize os princípios morais que regem a sociedade e isso é apreendido pelo indivíduo a partir da socialização realizada pelas instituições sociais tanto escolas quanto as famílias. No entanto, no contexto atual, é notório o quanto as relações entre familiares estão distanciadas, fato que dificulta a percepção de indícios de mudança de comportamento. Adicionalmente, é relevante citar também a negligência ou possível incapacidade de muitas instituições educacionais em perceber atos de bullying, o que favorece a permanência dessa prática.
Nesse sentido, para que esse problema não continue sendo obstáculos ao estabelecimento da manutenção de uma unidade social. É imperioso que o sistema de segurança pública aplique as leis - para todo e qualquer caso de transgressão - por meio do aumento no número de funcionários para ampliarem a fiscalização, de modo a modificar esse quadro anômico. Em adição, é importante que as escolas contratem psicólogos mediante a disponibilização de verbas por parte do MEC com a finalidade de acompanhar esses estudantes e juntamente com as famílias, coibir atos agressivos.