O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 26/10/2019
Desintegração da violência
O ano de 2019 ficará sempre marcado pelo massacre ocorrido na cidade paulista de Suzano, no qual dois ex-alunos de um colégio, invadindo-o, mataram estudantes e funcionários. Essa chacina demonstra que a prática de atitudes vexatórias em ambientes escolares vem aumentando, em virtude, primordialmente, da manutenção do preconceito e das experiências vividas pelos alunos em seu âmbito familiar. Sob esse viés, é impreterível que esse quadro de crescimento seja revertido.
Consoante o físico Albert Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado.” Sob tal ótica, verifica-se que a perpetuação do preconceito, recorrente desde a época colonial, contribui para o acontecimento de casos de agressão e mau comportamento nas escolas, uma vez que a discriminação de gênero, o racismo e a intolerância aos deficientes físicos promovem a existência do bullying e da violência. Por esse ângulo, os agressores, munidos de ódio e ofensas, desrespeitam seus colegas, provocando o isolamento e a exclusão social das vítimas.
Ademais, é perceptível que a violência sofrida pelos alunos em seu ambiente familiar também contribui para a prática desse problema nas instituições escolares. Conforme o sociólogo Émile Durkheim, a esfera social exerce um poder de coerção sobre os indivíduos, influenciando seu comportamento e suas atitudes. Dessa forma, ao vivenciar agressões e abusos em sua própria residência, o cidadão passa a reproduzir esse mau comportamento na esfera acadêmica. Assim, ao associar os traumas sofridos em casa às agressões na escola, os alunos podem desenvolver transtornos psicológicos como a ansiedade e a depressão, modificando sua saúde irreparavelmente.
Com base no retratado, é de suma importância que a violência ocorrida no ambiente escolar seja combatida. Para isso, é essencial que o Ministério da Educação adicione a temática do preconceito às disciplinas de História e Sociologia, de modo que seja debatida e questionada, por meio de saraus e oficinas de discussão educacional, com a finalidade de se atenuar a discriminação. Outrossim, é imprescindível que esse ministério fomente a criação de unidades de apoio psicológico em cada instituição, com psicólogos e psicopedagogos, para que se haja conversações quinzenais entre os alunos e esses profissionais, afim de que os traumas e transtornos gerados pelas agressões sejam tratados. Dessa forma, poder-se-á diminuir as atividades vexatórias, além de evitar chacinas como a de Suzano.