O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 25/10/2019
No filme “Escritores da Liberdade”, observa-se a história de Erin, uma professora de Ensino Médio que leciona em uma periferia na cidade da Califórnia. Ao longo da trama, a personagem enfrenta inúmeras dificuldades impostas por uma turma desatenta, desrespeitosa e, as vezes, violenta. Do mesmo modo, na realidade brasileira, o mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar evidencia um problema social grave, que se intensifica devido à ausência de uma educação pscicossocial e carência da participação dos pais no processo de aprendizagem.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a ausência de uma metodologia de ensino que promova a educação socioemocional dos alunos é fator determinante para o problema. Segundo Paulo Freire, a escola tem um papel fundamental na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente e a tolerância. Contudo, a didática tradional de educação, excessivamente focada em resultados quantitativos, como aprovações em vestibulares, se distancia dessa responsabilidade ao negligenciar o desenvolvimento de atividades pedagógicas que auxiliem os estudantes a administrarem suas emoções, desenvolverem o diálogo e gerenciarem, de forma saudável e sem violência, eventuais conflitos existentes dentro do ambiente escolar.
Ademais, convém frisar que a falta de engajamento familiar na educação de seus filhos também interfere na intensificação do problema. Isso fica evidente quando, de acordo com uma pesquisa realizada pelo movimento Todos Pela Educação, somente 12% dos responsáveis têm envolvimento ativo na rotina escolar de seus familiares. Desse modo, esse mentalidade que atribui ao instituto a responsabilidade de atuar sozinho na educação das crianças, dificulta uma atuação coletiva que possibilite identificar mudanças repentinas de comportamento e sinais de prática ou sofrimento de bullying com o objetivo de intervir de maneira precoce para atenuar a má conduta e a violência nas salas de aula.
Infere-se, portanto, que é de extrema importância priorizar um convívio harmônico dentro do ambiente escolar. Sendo assim, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, criar o projeto “ Harmonia em Sala de Aula”. Com o objetivo de ensinar alunos a gerenciarem suas emoções e a ampliar o envolvimento de pais e responsáveis, esse projeto, com o auxílio de psicólogos e professores , deve criar eventos mensais com palestras sobre violência escolar, peças teatrais sobre resoluções de conflitos e dinâmicas de grupo que, por intermédio de jogos e brincadeiras, viabilizem conversas sobre sentimentos entre familiares, alunos e corpo docente. Somente assim será possível desenvolver uma ação comunitária para restringir casos de violência escolar à ficção.