O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 08/10/2020

O filósofo francês Jean-Paul Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à questão do lixo e do modo de consumo no Brasil. Nesse sentido, em razão do consumismo e de questões socioculturais, emerge um problema complexo.

Em primeiro lugar, convém destacar que o consumo irracional de uma parcela da sociedade brasileira é uma causa latente nesta problemática. Sob essa perspectiva, segundo o Hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Dessa forma, a busca por prazeres instantâneos através de consumação imprudente e exacerbada é justificada como o sentido moral da vida. Entretanto, esse modo hedonista de adquirir coisas é um fator que agrava o caso do lixo produzido pelos brasileiros. Assim, vê-se que mudanças na mentalidade social coletiva são vitais para a erradicação do problema.

Além disso, há a questão dos costumes culturais como influenciador neste contexto. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível compreender que o impasse do descarte inapropriado de resíduos é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um meio social no qual não se promove a reciclagem e a redução da quantidade de lixo, a tendência é que estas não adotem estes hábitos, o que torna sua solução ainda mais difícil.

Logo, é evidente que uma intervenção faz-se necessária. Portanto, urge aos governos municipais criar campanhas de debate acerca de consumo responsável e de descarte adequado de resíduos, por meio de suas redes sociais, a fim de abordar os impactos do consumismo e sugerir métodos alternativos de consumo. Tal ação virá acompanhada de uma cartilha digital com instruções sobre como realizar a separação correta dos dejetos nos lares. Desse jeito, a população brasileira poderá atuar na melhora do país.