O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/08/2020

O Arcadismo - movimento literário idealizado no século XVII - profetizava, em forma de poemas, o equilíbrio entre o homem e a natureza. De maneira análoga à literatura árcade, denota-se que a conciliação entre o bem-estar humano e o meio natural faz-se fundamental para o desenvolvimento social e econômico. No entanto, tal tendência equilibrista ainda possui impasses no período hodierno, uma vez que o lixo e a sociedade de consumo ainda afrontam a realidade brasileira, ora pela primazia da lógica capitalista, ora pela negligência governamental.

A princípio, é imperativo pontuar que a mentalidade global - guiada pelas bases econômicas do capitalismo- agrava a problemática. Segundo o filósofo inglês Bertrand Russell, a mudança é indubitável, porém o progresso é questionável. Dessa forma, constata-se que com o aperfeiçoamento do sistema econômico hodierno, as sociedades tendem a adotar comportamentos cada vez mais padronizados, de maneira a fomentar um consumismo desenfreado. Logo, é substancial que haja um engajamento da sociedade civil para amenizar a conjuntura ambiental e comportamental hodierna.

Sob outro prisma, é válido averiguar que a inércia do Poder Público contribui com a constante geração de lixo e o consumismo exacerbado. É nítido que o Brasil avançou pouco em ações, sobretudo, no que tange à geração de resíduos, haja vista que, em uma década, a produção de resíduos sólidos urbanos aumentou em 11%, de acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Por consequência, é imprescindível a existência de políticas públicas e socioeducativas mais efetivas para reverter essa questão.

Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de medidas para mitigar o panorama vigente. Portanto, compete ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio de parcerias com Organizações Não Governamentais (ONGs) , realizar uma fiscalização mais efetiva em áreas críticas, no que concerne à quantidade de resíduos orgânicos gerados diariamente. Isso deve ocorrer mediante o auxílio de ONGs nos processos de denúncias, com o fito de tornar o Estado e a sociedade civil mais promissores em lidar com o problema. Ademais, cabe ao Ministério da Educação (MEC) implementar uma disciplina específica voltada para a sustentabilidade ambiental e econômica nas escolas. Tal ação tem como objetivo promover a educação cívica voltada para o consumo, além de despertar a criticidade coletiva quanto aos problemas sociais gerados da lógica capitalista.