O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 27/08/2020
Na animação “O Homem”, de Steve Cutts, é retratada a relação da humanidade com os outros habitantes do planeta e com o meio ambiente. Outrossim, segundo a teoria do fetichismo da mercadoria, de Karl Marx, o princípio supramencionado trata-se de uma tendência, aonde os indivíduos de uma sociedade sentem a necessidade de adquirir uma determinada mercadoria pela projeção social que se consegue por meio daquele consumo. Logo, pode-se inferir que o consumo desenfreado gera uma exploração demasiada da natureza, resultando, muitas vezes, em um acúmulo de lixo excedente, bem como o silenciamento acerca da relação entre a sociedade consumista e o lixo descartado por ela.
Em primeira instância, é fundamental compreender como a massificação da cultura, característica inerente ao capitalismo, contribui para a consolidação da problemática abordada. Para isso, é pertinente considerar que a ideia de “identidade como um valor de mercado”, formulada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, aborda que o ato de consumir sem limites cria nas pessoas uma insatisfação permanente, pois as novidades não se esgotam. Diante do exposto, cerca de 79 milhões de toneladas de lixo são descartas incorretamente no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contribuindo, dessa forma, para a bioacumulação de resíduos em mares e solos.
Em segundo plano, é preciso salientar que a falta de conhecimento populacional é uma causa latente sobre o problema. Consoante ao filósofo Foucault, muitos temas são silenciados, na sociedade pós-moderna, para que estruturas de poder sejam mantidas. Assim, verifica-se uma lacuna em torno dos debates acerca do lixo ocasionado pela sociedade consumista brasileira, contribuindo, dessa forma, para o escasso conhecimento por parte da população sobre essa questão, tornando sua resolução mais dificultada, de modo que as supracitada não compreendam a importância existente sobre se preservar o meio ambiente e tudo aquilo que é fornecido por ele para as gerações seguintes.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Assim, visando desconstruir e desincentivar o consumismo entre os brasileiros, na contemporaneidade, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, juntamente com ONG’S ligadas as questões socioambientais e a Prefeitura Municipal, organizem campanhas a serem veiculadas nos principais meios de comunicação como televisão, rádio e redes sociais, devido a sua grande abrangência, em que sejam explicados os danos que o consumismo pode causar aos seres humanos e a natureza, bem como estratégias para reduzir o consumo e reaproveitar esses materiais. Ademais, é necessário que se dê o destino adequado ao lixo que já é produzido no Brasil, a fim de criar uma estrutura congruente nos municípios brasileiros, como aterros sanitários compartilhados, por meio da divisão dos custos envolvidos nessa iniciativa.