O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 20/05/2020
A revolução industrial foi de grande importância para o surgimento de uma produção em larga escala que, em teoria, poderia atingir um maior número de pessoas e possibilitar uma maior homogeneidade na aquisição de bens de consumo em países adeptos ao globalismo. No entanto, essa produção desenfreada se tornou responsável pela mentalidade consumista que abrange boa parte da sociedade hodierna, contribuindo não só para o acúmulo exagerado desses bens, como o conseguinte problema ambiental decorrente do acúmulo de lixo proveniente da incessante aquisição destes itens. Nesse sentido, cabe analisar a omissão governamental frente a essa problemática, bem como a alienação social no que tange o consumismo, pelo fato de serem estes, agentes fundamentais para a continuação dessa mazela.
Em primeira análise, destaca-se a baixa atuação de setores governamentais no que se refere a pautas direcionadas ao lixo e seus impactos. Segundo o pastor protestante Martin Luther King, “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo o lugar”. Nesse sentido, a falta de aterros sanitários de qualidade, que possam dar um devido fim a plásticos e outros produtos não biodegradáveis, bem como a falta de incentivo a reciclagem faz com que esse lixo acumulado não tenha formas eficazes de ser reduzido, impactando negativamente a vida de toda a sociedade, haja visto que o acumulo em excesso de lixo torna-se nocivo a saúde e bem estar da população.
Faz-se mister ainda, salientar a mentalidade consumista como impulsionadora do problema. Análogo ao que foi dito pelo filósofo alemão Karl Marx, “Não é a consciência do homem que determina seu ser, mas seu ser social que determina sua consciência”, a sociedade hodierna é doutrinada desde a infância ao ato de consumir. Seja em propagandas, outdoors ou sites, a influência para o consumo acontece a todo instante, e em uma sociedade sem educação financeira como é a brasileira, os indivíduos são influenciados mais facilmente por toda essa propaganda e, por conseguinte, consomem em excesso, corroborando com a problemática.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser exercidas a fim de que esse problema seja solucionado. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação ensinar a seus alunos, através de aulas elucidativas e materiais didáticos, bases para a educação financeira em jovens e adolescentes, bem como administrar aulas de sociologia que os ensinem a terem uma visão pragmática do consumo, evitando o alienamento. Ademais, cabe o poder Legislativo elaborar leis incisivas no que tange descarte de lixo, implantando a coleta seletiva em bairros mais pobres e investindo mais recursos na reciclagem e pesquisa para que se obtenham novas formas de se eliminar itens não biodegradáveis.