O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 24/10/2017
Embora em O Guarani de José de Alencar o índio Peri é exaltado pela idealização romântica, é na atualidade que a questão indígena apresenta contrastes. Seja por fatores de ordem cultural e até mesmo políticos, a valorização e respeito para com tais povos, infelizmente, está distante de se alcançar no panorama brasileiro.
É indubitável que dentre as razões desse infortúnio, esteja a intolerância a cultura indígena que permeia a sociedade. Durante muito tempo da história do país, os índios além de submissos ao branco colonizador, sofreram com aversões puramente etnocêntricas - inferiorizados pela própria cultura e costumes. Séculos mais tarde, essa visão perdura e dificulta a luta desses pelos seus direitos que vem sendo negados. Sem diálogo entre ambas as partes, muitos conflitos eclodem, majoritariamente, no tocante à terra e que culmina na morte de inocentes.
Por outro lado, as desavenças políticas prejudicam as possibilidades de uma solução. Isso deve-se ao fato do parlamento brasileiro ser composto, sobretudo, por uma bancada ruralista, cuja defesa são pelos direitos dos proprietários rurais. O que ocorre, no entanto, é o negligenciamento das demarcações de terras indígenas, colocando-as em risco de exploração indevida. Um claro exemplo disso, é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 215) que prevê uma alteração na demarcação de áreas quilombolas, prevendo compensação aos agricultores.
Diante os fatos elencados, torna-se evidente portanto, a urgência da questão indígena na pátria canarinha. Por isso, é indispensável que o Estado, em especial o Superior Tribunal de Justiça, garanta os direitos indígenas, assim como está na Constituição do país, quanto a proteção de terras e usufruto das riquezas da mesma para reprodução física e cultural desse povo. Cabe também, a escola em parceria de ONG’s como a FUNAI, a instrução por palestras e práticas a fim de incutir o respeito às diferenças desde já aos pequenos. Quanto o indivíduo, deve praticar a tolerância e o uso do relativismo cultural no propósito de estabelecer alianças pacíficas interculturais. Só assim, finalmente, honraremos a liberdade e igualdade assim como defendida por Rousseau em seu contrato social, onde uma sociedade justa garante que a liberdade mútua de todas seja preservada, contanto que a vontade geral do povo seja considerada.