O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 19/10/2017

Desde a formação do Estado Nacional, a questão indígena é um problema intrínseco à realidade brasileira. Nesse sentido, o genocídio da população nativa no século XVI evidencia a atemporalidade dessa problemática. Dessa forma, embora existam mecanismos que impeçam a opressão dessa minoria - como a FUNAI -, a intensa exploração de territórios demarcados pela lei aos índios denota a ineficácia dessas medidas, seja pelo etnocentrismo presente na sociedade, seja pela perspectiva capitalista que assola a contemporaneidade.

Em um primeiro momento, é indubitável afirmar que a falsa percepção de uma superioridade cultural corrobora a desvalorização do povo autóctone. A fundamentação dessa correlação alicerça-se no fato de que a presença de um ideal hierarquizador fomenta nos indivíduos a necessidade de colocar-se em uma posição social acima de outros cidadãos, de modo que a aversão ao indígena é um reflexo dessa ideia, uma vez que a cultura urbana torna-se, supostamente, superior. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Darcy Ribeiro, o etnocentrismo é uma característica inconcebível em uma sociedade marcada pela multiculturalidade. Dessa maneira, percebe-se que retirar o pensamento etnocêntrico é imprescindível para a mudança desse paradigma.

Ademais, o anseio pela lucratividade proveniente das grandes empresas, certamente, intensifica esse impasse. Dados divulgados pela fonte A Público afirmam que 50% dos processos mineradores incidem em territórios povoados pelos índios. Com base nisso, a crescente atuação de multinacionais nessas áreas obriga, em muitos casos, a dispersão da população indígena - visto que essas terras serão exploradas para a obtenção de lucro -, de modo que a perda da identidade nacional e de costumes históricos são consequências inevitáveis dessa remoção. Assim, a resolução desse panorama configura-se como um importante desafio da pós-modernidade.

Desse modo, o etnocentrismo, em paralelo com a perspectiva capitalista, consubstancia a desvalorização do índio. Entende-se, portanto, que é dever do Poder Executivo Federal, sob a forma do Ministério de Educação, desenvolver e aprimorar o pensamento dos jovens sobre a importância da cultura indígena no país - visto que a população tem um preconceito enraizado contra essa parcela social, deslegitimando o valor desse povo - por meio de aulas com eixos étnicos e palestras com a presença de representantes de tribos nativas, em consonância com uma conscientização histórica feita por pedagogos sobre a opressão dos índios, de modo que a identidade desse grupo seja restaurada e os seus membros dignificados. Dessa maneira, o alcance e a eficiência dessas ações serão relevantes conquistas, de maneira que se redesenhe um futuro melhor.