O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 19/10/2017

Precisamos viver todos como irmãos

Toda questão social implica uma necessidade humana. A essência de uma sociedade é o cuidar dos indivíduos em seus diversos agrupamentos ou aspectos. Em virtude disso, a questão da marginalização dos povos indígenas e de seus direitos ainda desafia a inteligência humana e os progressos contem-porâneos como um fator inadmissível, cujo objeto de análise está no conflito por terras no interior do país. Nessa contexto, vale apontar como norte reflexivo o que um dia já dissera o ativista negro Martin Luther King, “precisamos viver todos como irmãos ou morreremos como loucos”.

Primeiramente, cabe ressaltar que a cultura indígena era vista no passado pelos povos colonizadores como atrasada e como um empecilho para o desenvolvimento. O mais grave, no entanto, é que atual-mente essa visão etnocêntrica pouco mudou, apesar dos progressos na legislação de demarcação de terras da Constituição de 1988. Com efeito, o conflito por terras entre fazendeiros e índios se intensifica no meio jurídico e até no físico, o que constitui em um processo de neocolonização e de extermínio dos povos tupis. Sob essa conjuntura de fatores, o sociólogo Florestan Fernandes, derrubou a ideia de democracia racial de Gilberto Freyre e apontou a necessidade de mudanças políticas e educacionais.

Outrossim, é válida a ideia de Michel Foucault quando se analisa as relação de poder entre fazendei-ros e índios. Para o filósofo, a sociedade é dividida em micropoderes que regem as relações entre a sociedade. Em face disso, a violência na invasão de demarcação de terras indígenas é tão grande até os dias atuais: o interior do Brasil ainda tem fraca presença do Estado e o poder dos grandes latifundiários ainda domina as regiões, sinal de resquícios de uma política coronelista. Por conseguinte, o extermínio indígena ganha novo contexto, mas permanece sustentado por antigas estruturas. Desta feita, é urgente que haja mudanças mediante a justiça.

Convém, pois, que o Ministério da Justiça em parceria com a FUNAI, por meio do fortalecimento do envio de agentes externos fiscalizadores de âmbito federal à terras indígenas, suplante o poder despótico dos latifundiários, fiscalize e puna a invasão de terras indígenas, a fim de se garantir justiça social em locais de pouca presença estatal. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação, por intermédio da adesão de aulas de sociologia sobre multiculturalismo e respeito étnico no currículo escolar dos ensinos médio e fundamental, fortaleça o combate às visões etnocêntricas, com o intuito de criar a médio prazo cidadãos que respeitem e valorizem as diversas culturas do país, inclusive a indígena. Realizadas essas ações, acredita-se que possamos viver todos como irmãos, assim como quer Martin Luther King.