O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 18/10/2017

Durante o Romantismo, o movimento Indianista exaltou a figura do índio como símbolo cultural e nacionalista do Brasil. Entretanto, o que percebemos na atualidade são os resquícios da herança deixada pelo colonizador europeu: a expulsão dos povos de suas terras e o etnocentrismo, que, no século XXI, se desdobram na questão agrária e no preconceito social.

A Constituição Federal reconhece aos índios o direito originário sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Assim, a demarcação de terras é uma das questões mais reivindicadas pelas associações indigenistas por ser o instrumento declaratório capaz de garantir a eficácia do dispositivo constitucional e barrar o avanço da agricultura e exploração sobre as terras. Apesar disso, a questão enfrenta dificuldades como a oposição da bancada ruralista que coloca barreiras para priorizar o agronegócio. Nesse contexto, é frequente o embate entre índios e produtores rurais relacionados à divergência da propriedade da terra, tendo como resultado a morte de diversas pessoas.

Além disso, a sociedade brasileira persiste em ver o índio com os olhos de Pero Vaz de Caminha, e,  pautada no conceito do “Darwinismo Social”, a cultura indígena é considerada inferior e menos evoluída. Assim, o indivíduo acaba sendo reduzido a uma figura folclórica lembrada apenas no dia 19 de abril. Segundo dados do IBGE, existem mais de 800 mil índios no Brasil e pelo menos 350 mil vivem em áreas urbanas. Nesse contexto, a despeito do que muitas pessoas pensam, muitos possuem acesso à tecnologia e frequentam ambientes como universidades, porém, a inserção desses indivíduos em locais tradicionalmente ocupados pelo homem branco ainda encontra preconceito.

Torna-se evidente, portanto reduzir as mazelas deixadas pelo passado colonial. É imprescindível, que o Congresso Nacional, com a fiscalização da FUNAI, implemente efetivamente o procedimento de demarcação em todas as regiões do Brasil, com a finalidade de garantir o acesso do índio à terra. Outrossim, o Ministério da Educação deve alterar os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) inserindo conteúdos como a Antropologia nos Ensinos Fundamental e Médio com a finalidade de desmistificar conceitos, reduzindo, assim, o preconceito e melhorando a inserção desses povos na sociedade.