O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 17/10/2017

Tinha uma pedra no meio do caminho. É inegável que a visão estereotipada, atrelada à questão agrária, tem sido pedras no meio do caminho de muitos povos indígenas brasileiros. Apesar de a primeira geração do Romantismo ter visto o índio brasileiro como um símbolo nacional a ser exaltado, hodiernamente, os povos indígenas enfrentam as consequências provindas de anos de subordinação e esquecimento perante ao etnocentrismo europeu.

Primeiramente, há um estereótipo que cerca a figura da população aborígine brasileira. A imagem do índio do século XV, descrita por Pero Vaz de Caminha como um ser selvagem, permanece enraizada na sociedade. Ao tratá-los desta mesma maneira, a cultura diversa desta etnia acaba por ser generalizada e inferiorizada, omitindo a heterogeneidade dos mesmos em diversas áreas, como na educacional, visto que na escola pouco, ou nada, se aprende sobre a pluralidade de costumes e a história do povo indígena. Em consequência, nota-se a permanência da visão romantizada e idealizada na memória de muitos brasileiros.

Além disso, a busca incansável do setor do agronegócio por lucro tem afetado drasticamente o cotidiano dessa população. Devido a omissão do poder público há falta de agilidade na demarcação de terras indígenas, o que contribui para que o espaço assegurado a esses povos, pela Constituição de 88, seja alvo de grandes latifundiários.Como consequência da expansão agrícola irregular em terras indígenas ocorrem inúmeros conflitos com vítimas fatas, como o que ocorreu em 2016, quando fazendeiros do Mato Grosso do Sul formaram uma milícia privada e atacaram comunidades indígenas das etnias guarani-kaiowá e guarani-ñandeva. Este cenário expõe a situação precária e desigual desta população no que diz respeito a garantia de suas terras e o bem estar social.

Fica evidente, portanto, que os povos indígenas apresentam grandes dificuldades e que medidas são necessárias para atenuar esta problemática. Cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com o MEC, a introdução no currículo escolar de uma disciplina que trate da história indígena, seus costumes e variedade cultural, para promover um maior conhecimento acerca deste grupo. Outrossim, é imprescindível que, com o auxílio da FUNAI, o Ministério da Justiça acelere o processo de demarcação de terras e o coloque como prioridade nos processos jurídicos de modo que todos os lados envolvidos sejam favorecidos e conflitos sejam evitados. Só assim não mais haverão pedras no caminho dos índios brasileiros.